Monday, July 30, 2007

Estréias de 14 de setembro de 2007

KIRIKOU 2 - OS ANIMAIS SELVAGENS
(Kirikou and the Wild Beasts, França, 2005).
Direção: Bénédicte Galup e Michel Ocelot.
Roteiro: Philippe Andrieux, Michel Ocelot, Marie Locatelli e Bénédicte Galup
Sinopse: O avô de Kirikou, o minúsculo menino africano de cabelo moicano, conta quatro histórias sobre seu neto em que o garoto utilizou sua astúcia para solucionar diferentes problemas envolvendo a vida na sua aldeia, formada em sua maioria por mulheres, idosos e crianças. Isso porque a feiticeira Karabá, que havia secado a fonte d'água da aldeia de Kiriku, engoliu todos os homens que foram enfrentá-la, além de pegar todo o ouro que tinham.
Na primeira história, a aldeia se preparava para a primeira colheita de legumes e frutas depois de uma longa estiagem. Certa manhã, porém, uma vizinha de Kirikou acordou e levou um susto ao olhar para a horta e perceber que ela estava toda destruída. Inicialmente os nativos acharam que a malvada feiticeira Karabá teria enviado seus feitiços para destruir a plantação e assim matar a todos de fome, mas depois descobriram que uma hiena negra era a verdadeira responsável por todo o estrago. Só restava saber o quê um animal carnívoro estaria fazendo numa horta.
A segunda história é uma continuação imediata da primeira. A aldeia passava por sérias dificuldades depois dos estragos que a hiena negra fez. Não havia mais o que comer nos celeiros, pois tudo havia sido usado para cultivar aquela safra. Enquanto os adultos se lamentavam e reclamavam do destino reservado a eles, Kirikou brincava de fazer objetos de barro com a argila ao redor do que restou da horta. Foi assim que Kirikou propôs à aldeia que a maneira deles conseguirem meios para sobreviver era vender objetos de cerâmica na feira da cidade. Iniciou-se então um grande mutirão de artesanato para produzir panelas, vasos, vasilhas, jarros e cestos de barro. Em seguida formou-se uma comitiva da aldeia para levar os utensílios até a feira da cidade e vender os objetos. No meio do longo caminho entre a aldeia e a cidade, a comitiva encontrou um búfalo de chifres dourados e olhos vermelhos, e Kirikou logo percebeu que aquele búfalo seria um problema.
A terceira história começa quando Kirikou encontra no chão da aldeia pegadas de um suposto pássaro com três patas e, curioso, começa a seguir tais pegadas. A investigação de Kirikou o leva a afastar-se da aldeia e a cair numa armadilha da feiticeira Karabá. Mas Kirikou acaba sendo salvo com a ajuda de uma girafa, que o leva para um passeio inesquecível pelo interior da África, explorando lugares que nunca tinha visto antes.
A última aventura de Kirikou contada por seu avô começa quando as mulheres da aldeia provam a cerveja natural produzida na aldeia e no dia seguinte todas elas se sentem mal. A mãe de Kirikou, bem debilitada, pede que o filho derrame o que sobrou da cerveja para que ninguém mais a beba. Assim, Kirikou descobre que no fundo do jarro haviam algumas flores de veneno, que só são encontradas no jardim do terreno da feiticeira Karabá. O antídoto para esse veneno é uma flor dourada, também só existente no jardim de Karabá. Para buscar essas flores e salvar as mulheres da aldeia, Kirikou terá que arranjar uma forma de driblar o feitiço vigilante de Karabá.




Site Oficial: http://www.kirikou-lefilm.com/kirikou.htm



MARIA BETHÂNIA: PEDRINHA DE ARUANDA
(Brasil, 2006)
Direção: Andrucha Waddington
Sinopse: Um documentário intimista sobre a cantora brasileira Maria Bethânia. Ela é vista nos bastidores de um show, seguindo seus rituais religiosos para entrada em cena, em conversas com seus parentes, como o irmão Caetano Veloso e a mãe, dona Canô, cantando em família e explorando caminhos secretos de sua infância em sua cidade natal, Santo Amaro da Purificação, no estado da Bahia.
Notas da Crítica:
Neusa Barbosa, Cineweb: 4/5
Anahi Borges, Cinequanon: 3/5

Angela Andrade, Cinequanon: 3/5
Elie Politi, Cinequanon: 3/5
Marcelo Lyra, Cinequanon: 3/5
Miguel Barbieri Jr., Veja SP: 3/5
Leonardo Mecchi, Cinequanon: 1/5
Marcelo Miranda, Cinequanon: 1/5
ÍNDICE NC: 5,25/8

OS MENSAGEIROS
(The Messengers, EUA/Canadá, 2007)
Direção: Oxide Pang Chun¹ e Danny Pang
Elenco: Kristen Stewart, Dylan McDermott, Penelope Ann Miller, John Corbett, Evan Turner (1), Theodore Turner, William B. Davis, Brent Briscoe, Dustin Milligan, Jodelle Ferland, Michael Daingerfield, Tatiana Maslany, Shirley McQueen, Anna Hagan, Blaine Hart.
Sinopse: Família se muda para casarão abandonado no interior dos Estados Unidos, caindo aos pedaços, sem suspeitar que ali mãe e filhos um dia foram assassinados. Só os filhos dos novos moradores conseguem ver que os espíritos do além voltaram para atormentar os vivos.
Notas da Crítica:
Pablo Villaça, Cinema em Cena: 3/5
Diego Benevides, Cinema com Rapadura: 5/10
Renato, blogspot Cinematorio: 4/10
Marcelo Hessel, Omelete: 1/5

FIDO - O MASCOTE
(Fido, Canadá, 2006)
Direção: Andrew Currie.
Elenco: Carrie-Anne Moss, Billy Connolly, Dylan Baker e K'Sun Ray.
Sinopse: Na década de 50, a empresa Zomcon inventou uma coleira capaz de domesticar os zumbis (anos antes, uma guerra com humanos deixou famílias órfãs de alguns parentes). Agora, num típico condomínio americano, as casas possuem seu morto-vivo de estimação. Eles são usados para servir os patrões sem dar um pio. Embora Bill Robinson abomine a idéia de ter uma dessas aberrações em casa, sua mulher e seu filho, Timmy, acabam convencendo-o a ficar com Fido.
Notas da Crítica

INSTINTO SECRETO
(Mr. Brooks, EUA, 2007)
Direção: Bruce A. Evans
Elenco: Dane Cook, Kevin Costner, Demi Moore, Matt Schulze, Ruben Santiago-Hudson e William Hurt
Sinopse: Mr. Brooks (Kevin Costner) é um homem de sucesso, generoso, ótimo pai e marido, eleito o Homem do Ano. Aparentemente ele é perfeito. Mas existe um segredo. Ele tem um alter-ego homicida (William Hurt), um conhecido assassino em série, e ninguém desconfia disso. Ao não resistir à tentação de mais um assassinato, Mr. Brooks é flagrado por um fotógrafo (Dane Cook) enquanto mata um casal. Ele agora precisa lidar com esta testemunha que o chantageia e a investigadora Tracy Atwood (Demi Moore), que pode descobrir toda a verdade.
Em Portugal o filme chama-se A Face Oculta de Mr. Brooks.
Notas da Crítica:
A. Pascoalinho, Premiere: 4/5
Marcelo Forlani, Omelete: 3/5
Pablo Villaça, Cinema em Cena: 3/5
Marcelo Hessel, Omelete: 2/5
Miguel Barbieri Jr., Veja SP: 2/5
Rodrigo Carreiro, Cine Reporter: 2/5
Rui Pedro Tendinha, Premiere: 2/5

Sérgio Rizzo, Folha Ilustrada: 1/4

DEITE COMIGO
(Lie With Me, Canadá, 2005)
Direção: Clément Virgo.
Elenco: Lauren Lee Smith, Eric Balfour, Richard Chevolleau, Frank Chiesurin.
Sinopse: A Livre, a bela Leila desfruta da companhia de homens que conhece em festas sem arrependimentos ou ilusões. Sua única busca é o prazer. Mas ao conhecer um desses parceiros ocasionais, começa a despontar um relacionamento.
Notas da Crítica:
Érico Borgo, Omelete: 3/5
Erico Fuks, SET: 5/10
Miguel Barbieri Jr., Veja SP: 1/5


QUERÔ
(Brasil, 2006)
Direção: Carlos Cortez
Elenco: Maxwel Nascimento, Maria Luisa Mendonça, Ângela Leal, Ailton Graça, Milhem Cortaz, Claudia Juliana.
Sinopse: À noite, pelas ruas da zona portuária de Santos, um adolescente corre ofegante e ferido, com uma arma na mão. Este adolescente é Jerônimo da Piedade, filho da prostituta Alzira e de pai desconhecido.
Jerônimo nasceu num bordel, e contrariando o conselho de Violeta, a cafetina do local, não foi deixado numa creche ou num convento para ser criado por freiras. A mãe de Jerônimo queria cuidar pessoalmente do menino, mesmo que para isso tivesse que deixar o bordel e tentar sobreviver nas ruas. Alzira não resistiu muito tempo e acabou morrendo ao beber querosene. Daí veio o apelido de Jerônimo, Querô(sene), que sem ter com quem ficar acabou ficando mesmo no bordel de Violeta e foi criado mesmo pelas leis das ruas, da bandidagem, da esperteza. A oração de Querô era "Deus, me ajude a ter uma arma".
Vivendo de pequenos furtos, Querô acabou se envolvendo com Tainha e Bolacha, dois assaltantes que o levaram para roubar um gringo. O crime fez com que Querô fosse detido e levado para a FEBEM.
Logo no primeiro dia na instituição, Querô arruma encrenca com Cocada, um dos líderes dos menores delinqüentes que brinca com a origem do apelido de Querô e acaba indo parar no Pronto Socorro. A partir daí a raiva de Querô começa a crescer cada vez mais, e seu ódio é alimentado pelo ambiente opressivo, individualista e ocioso do internato, que chega a um limite quando Querô se rebela contra o "disciplinador" da FEBEM e acaba liderando um motim e a fuga em massa dos menores.
Querô procura ajuda primeiro com o homossexual Naná e depois com a evangélica Gina, através de quem Querô conhece Lica, a sobrinha do pastor, que canta nos cultos da igreja e por quem Querô se apaixona.
No dia do aniversário de Lica, Querô quer muito presenteá-la com uma caixinha de música, mas para isso teria que arranjar dinheiro. Por causa disso, Querô irá se envolver em uma grande enrascada que terminará quando à noite, pelas ruas da zona portuária de Santos, um adolescente corre ofegante e ferido, com uma arma na mão.
LINK PARA OS MELHORES FILMES DE 2007

ABOIO
(Brasil, 2006)
Documentário
Direção: Marília Rocha
Sinopse: Arrojado na linguagem, o premiado documentário recupera o universo arcaico e masculino, dos tropeiros de gado que circulam, agora cada vez menos, entre Minas Gerais, Bahia e Pernambuco. A diretora torna vívidas as memórias destes velhos tangedores de gado quase todos aposentados, evidenciando sua ligação visceral com os bois através do curioso paralelo entre as imagens das peles de homens e animais.
Notas da Crítica:
Carlos Alberto Mattos, SET: 8,5/10
Neusa Barbosa, Cineweb: 4/5
Cid Nader, Cinequanon: 3/5
Angela Andrade, Cinequanon: 3/5
Marcelo Lyra, Cinequanon: 2/5
Anahi Borges, Cinequanon: 2/5

Elie Politi, Cinequanon: 2/5
Marcia Schmidt, Cinequanon: 2/5

O VIGARISTA DO ANO
(The Hoax, EUA, 2006)
Direção: Lasse Hallström
Elenco: Richard Gere (Clifford Irving), Marcia Gay Harden (Edith Irving), Zeljko Ivanek, Antonie Knoppers, Alfred Molina (Dick Susskind), Sarah Nichols, Stanley Tucci (Shelton Fisher), Hope Davis (Andrea Tate), Julie Delpy (Nina Van Pallandt).
Sinopse: Em 1970, o escritor Clifford Irving (Richard Gere), para dar um novo gás em sua carreira, finge ter sido contratado pelo bilionário Howard Hughes para escrever sua autobiografia. Inving forja assinatura e correspondências de Hughes e consegue vender o projeto do livro para a editora McGraw-Hill por uma fábula. Tudo vai bem até que criador e criatura começam a se confundir na farsa.
Notas da Crítica:
Celso Sabadin, Cineclick: 8,5/10
Marcelo Hessel, Omelete: 4/5
Rodrigo Salem, SET: 8/10
Amir Labaki, Guia da Folha: 3/4
Marina Person, Guia da Folha: 3/4
Sandro Macedo, Guia da Folha: 3/4
Sérgio Dávila, Guia da Folha: 3/4
Luiz Carlos Merten, O Estado de São Paulo: 7/10
Renato, blogspot Cinematorio: 7/10
Alexandre Koball, Cineplayers: 6/10
Beatriz Diogo, Cinema com Rapadura: 6/10
Erico Fuks, Cinequanon: 3/5
Mário Abbade, Almanaque Virtual: 3/5
Miguel Barbieri Jr., Veja SP: 3/5
Odair Braz Jr., Virgula.com: 6/10
Pablo Villaça, Cinema em Cena: 3/5
Rodrigo Carreiro, Cine Reporter: 3/5
Cassio Starling Carlos, Folha Ilustrada: 2/4
Tatiane Crescêncio, Cineplayers: 5/1
Régis Trigo, Cineplayers: 5/10
Andy Malafaya, Cineplayers: 4,5/10
Elie Politi, Cinequanon: 2/5

Angela Andrade, Cinequanon: 2/5
Luiz Antonio Giron, Época: 2/10
ÍNDICE NC: 6,09/24

ANJOS EXTERMINADORES
(Les Anges exterminateurs, França, 2006)
Direção: Jean-Claude Brisseau
Elenco: Frédéric van den Driessche, Maroussia Dubreuil, Lise Bellynck, Marie Allan, Sophie Bonnet, Raphaële Godin, Margaret Zenou e Jeanne Cellard.
Sinopse: Enquanto faz testes de elenco para uma cena de nudez feminina, o cineasta François fica fascinado com o prazer que algumas mulheres sentem em transgredir tabus sexuais. Certo de que encontrou algo inovador, decide fazer um filme que misture ficção e realidade, explorando os mistérios do prazer feminino.
Notas da Crítica:
Fernando Watanabe, Cinequanon: 5/5
David Mariano, Premiere: 4/5
Francisco Ferreira, Premiere: 4/5
José V. Mendes, Premiere: 4/5
Leonardo Luiz Ferreira, Almanaque Virtual: 4/5
Ricardo Matsumoto, SET: 7,5/10
Luis Salvado, Premiere: 3/5
Mario Abbade, Almanaque Virtual: 3/5
Rui Brazuna, Premiere: 3/5
Rui Pedro Tendinha, Premiere: 3/5
Renato, blogspot Cinematorio: 5/10
Cesar Zamberlan, Cinequanon: 2/5
Vitor Moura, Premiere: 2/5
Marcia Schmidt, Cinequanon: 1/5
Miguel Barbieri Jr, Veja SP: 0/5
Sergio Nunes, Cinequanon: 0/5

ÍNDICE NC: 5,60/16

3 comments:

airtonshinto said...

EMILIO FRANCO JR., do site Almanaque Virtual:
"Esta animação francesa participou do Festival de Cannes de 2005, em exibição especial fora de competição. Kirikou 2 - Os Animais Selvagens (Kirikou et les Bêtes Sauvages, 2005) é dirigido pela dupla Bénédicte Galup e Michel Ocelot, que dirigiu sozinho o primeiro "Kirikou", datado de 1998, e que fez bastante sucesso com o público infantil.
O motivo da realização de uma continuação para o primeiro longa-metragem surge na tela logo no início da projeção. Segundo o avô do herói, no primeiro filme não houve tempo para contar tudo o que Kirikou conseguira fazer. Então, o avô pede a atenção dos espectadores para iniciar a narração das novas aventuras de nosso pequeno - na verdade, minúsculo - herói. A partir disso, Kirikou enfrenta diversos desafios na África Ocidental, tendo de lutar contra a feiticeira Karabá, enquanto tenta normalizar o abastecimento de água em sua aldeia, arrumar fonte de renda para o sustento de seu povoado e livrar a todos das ameaças e dos ataques de uma terrível feiticeira.
Lançado em uma época de grandes animações, que esbanjam qualidade tecnológica, porém nem sempre acompanhadas de qualidade em seu conteúdo, Kirikou 2 - Os Animais Selvagens opta pelo simples. É, na realidade, um desenho animado tradicional. O filme almeja agradar seu público-alvo: as crianças. E consegue alcançar seu objetivo. Toda a pequena extensão do longa, são apenas 74 minutos, é pontuada por mensagens dirigidas, especificamente, a esse público, como a importância do trabalho em equipe e da família. Ao mesmo tempo, mostra a necessidade de superar crenças antigas, nas quais os mais idosos se baseiam, acabando com os conceitos de uma sociedade patriarcal. Em relação aos mais velhos, as crianças, nitidamente, possuem uma visão mais liberal.
O filme, às vezes, fala o que não precisaria ser dito. Isso ocorre em alguns momentos durante a projeção, por exemplo, na cena em que Kirikou está em uma árvore, olha para cima e anuncia: "Vou subir na árvore". Desnecessário, bastava subir sem pronunciar nenhuma palavra. Mas, esses pequenos problemas de roteiro não chegam a atrapalhar o longa, que mantém seu bom nível no transcorrer de seus minutos. Consegue não ficar desinteressante em instante algum, mesmo que, ao mesmo tempo, não chegue a ser uma obra que mereça muito destaque. Em resumo, é um passatempo interessante.
Simples e bonito, principalmente levando-se em conta a quem o filme é destinado,
Kirikou 2 - Os Animais Selvagens é acompanhado por uma trilha sonora agradável, com um ritmo que mistura a música típica africana com jazz e blues. O filme está preocupado mesmo em entreter (e consegue) o público, e ensinar à platéia infantil a importância de diversas atitudes. Não é uma animação que se destaca pela originalidade, mas agrada da mesma maneira pela simplicidade com que apresenta a sua história. "

airtonshinto said...

FÁBIO YABU, do site Omelete:
"Você certamente não verá uma miniatura de Kirikou no McLanche Feliz. Um menino africano totalmente nu, rodeado pela sua tribo igualmente pelada não é algo que ajude a vender sanduíches. Mas isso não quer dizer que o personagem principal de Kirikou 2 - Os animais selvagens (Kirikou et les bêtes sauvages, 2005) não seja interessante.
A trajetória de Kirikou, de Michel Ocelot, começou em 1998, em Kirikou e a Feiticeira. Vencedor de múltiplos prêmios ao redor do mundo, o filme rendeu uma sequência em 2005, que as salas brasileiras só estão recebendo agora. A nova aventura, dividida em quatro curtas, se passa antes do final do primeiro filme, quando Kirikou já é adulto.
Seu pensamento é tão rápido quanto as suas pernas, que percorrem a savana africana levantando poeira por onde passam. Eloquente, ele contesta as decisões dos adultos em sua tribo e assume sozinho a liderança quando a Feiticeira Karabá apronta suas maldades. Entre um triunfo e outro, a tribo comemora cantando uma grudenta canção que vai fazer adultos e crianças sairem do cinema cantarolando alegremente algo que lembra o francês.
Assistir a Kirikou é quase como ouvir uma história sendo contada por nossos pais ou avós, em que os fatos relatados se apóiam muito mais na imaginação do ouvinte do que em estímulos visuais. Por isso, verdade seja dita, certas cenas do filme, como os "Feitiços", são pouco mais do que desenhos estáticos arrastados pela tela. Já outras, como o passeio de Kirikou agarrado à cabeça de uma girafa, trazem uma experiência visual mais agradável, e conseguem capturar a variedade de cores e formas da África.
E como em toda fábula africana, aqui não há espaço para animais humanizados. Os tais "animais selvagens" do título assim o são por todo o filme, sem espaço para maniqueísmos ou recursos disneyescos. A hiena ataca a tribo de Kirikou ao se sentir ameaçada, as abelhas o picam sem dó, e enquanto os "Feitiços" querem esfolá-lo vivo, a girafa só se preocupa em comer. Isso sim é Hakuna Matata.
A animação, que consumiu 4 anos de trabalho e meio milhão de desenhos feitos à mão, conta também com algumas cenas em 3D. As crianças menores certamente não vão reparar, mas talvez seus irmãos mais velhos, criados a base de PS2, Nemos e Shreks, fiquem incomodadas com a limitação da técnica, por vezes parada demais. A comparação com os gigantes é um tanto injusta, mas explica porque o filme chegou com 2 anos de atraso ao Brasil e em apenas poucas salas. Afinal, Kirikou pode salvar sua tribo de Karabá, fazer e vender vasos de barro, mas em se tratando de sanduíches já é bem diferente. "

airtonshinto said...

NEUSA BARBOSA, do site Cineweb:
"Seqüência de Kirikou e a Feiticeira (1998), este desenho animado francês retoma a história do minúsculo menino africano Kirikou, mais uma vez enfrentando a terrível feiticeira Karabá, que ameaça a sobrevivência de sua aldeia.
Michel Ocelot, diretor do filme original, está novamente à frente, mas desta vez contando com uma diretora assistente, Bénédicte Galup. A produção consumiu um ano e meio, dos storyboards aos desenhos propriamente ditos, que foram realizados em três países, em estúdios na França, no Vietnã e na Látvia.
A participação de cerca de duzentos técnicos de países diferentes contribui para que se mantenha o visual do desenho numa linha independente da escola americana de animação, representada por estúdios como Disney/Pixar, DreamWorks e outros. Se é verdade que os movimentos dos personagens são um pouco mais estáticos, nem por isso deixam de ser especialmente originais as paisagens africanas que se vêem aqui, bem como os traços dos personagens, suas roupas e objetos.
Uma abordagem diferente, de respeito à multiculturalidade, é outro diferencial positivo em relação à habitual pasteurização promovida por Hollywood. Kirikou – Os Animais Selvagens compreende quatro histórias inspiradas em lendas do oeste africano, assim como o filme de 1998. Na primeira, o pequeno Kirikou, que todos pensavam ter-se afogado, recupera-se e ajuda sua aldeia a recomeçar a agricultura. No desenho anterior, a feiticeira esgotara o suprimento de água dos aldeões, mas Kirikou encontrou uma nova fonte.
Logo mais, a comunidade terá de enfrentar uma hiena gigantesca, que invade sua horta, destruindo boa parte da plantação, já no ponto de ser colhida. Kirikou tem a idéia de que todos façam potes de cerâmica para vender na cidade, ganhando dinheiro para comprar alimentos. Ele mesmo vai fazer o maior sucesso com seus potinhos em miniatura.
Kirikou vive uma grande aventura quando faz um passeio sentado na cabeça de uma girafa, o que lhe permite conhecer paisagens nunca vistas antes. Seu problema, depois, vai ser encontrar um jeito de descer lá de cima sem se machucar.
A última e mais perigosa missão do menino surge quando todas as mães da aldeia adoecem. Uma bebida que tomaram foi envenenada pela feiticeira. Kirikou vai se disfarçar para colher a planta que dá o antídoto em pleno jardim da bruxa, que é vigiado por seus perigosos robôs.
Kirikou – Os Animais Selvagens é mais indicado para crianças pequenas, recorrendo várias vezes a canções para contar suas histórias. Nem por isso deixa de ser muito agradável a platéias de todas as idades. Na trilha sonora, comparecem astros da world music, como o camaronês Manu Dibango, com canções da malinesa Rokia Traoré e do senegalês Youssou N’Dour, que já havia participado da trilha do primeiro filme. "