Friday, February 29, 2008

A CERIMÔNIA

Neusa Barbosa, do site Cineweb

Foi uma cerimônia curta, eficiente, politizada e nem por isso deixou de observar a gentileza. Antes das 2h da manhã (horário brasileiro), todos os prêmios já estavam devidamente entregues, inclusive os de melhor filme e direção ao grande vencedor da noite, Onde os Fracos não Têm Vez (ao lado, poster japonês do filme), dos irmãos Joel e Ethan Coen – cujo filme venceu também os Oscar de melhor ator coadjuvante para Javier Bardem e roteiro adaptado, totalizando quatro estatuetas.

O outro campeão de indicações, o forte drama Sangue Negro, de Paul Thomas Anderson – que, como o filme dos Coen, acumulava oito indicações -, acabou tendo de contentar-se com apenas dois prêmios, o de melhor ator para Daniel Day-Lewis (o segundo da carreira dele) e melhor fotografia (Roger Elswit). Se não chegou a ser uma injustiça (haverá quem pense o contrário), com certeza foi pouco para um dos trabalhos de maior fôlego do ano, que marca a maturidade de Anderson.

Com apenas 37 anos, o diretor de Sangue Negro tem tempo para esperar pelo seu Oscar. Este é o segundo dos joviais cinqüentões Coen – embora o primeiro, por Fargo, em 1996, tenha sido atribuído oficialmente apenas a Joel, por problemas burocráticos agora superados. Onde os Fracos não Têm Vez é certamente um dos melhores filmes de sua carreira. Embora sendo um roteiro adaptado (do livro do escritor Cormac McCarthy, que estava na platéia e vibrou muito com a vitória), sua força na tela tem a cara dos irmãos que já entregaram ao mundo filmes do quilate de Gosto de Sangue e Ajuste Final. Vivem uma bela maturidade, sem nenhuma pose ou afetação.

Comentários políticos
Se em economia e política externa, nem tudo vai bem para os EUA, como foi lembrado em diversos comentários do apresentador Jon Stewart sobre as próximas eleições e o Iraque, com certeza, em cinema a saúde vai bem. A safra 2007 foi boa nas telas norte-americanas e alguns dos melhores filmes foram lembrados aqui. Com certeza, houve omissões, talvez a mais clamorosa delas a de Senhores do Crime, de David Cronenberg, em categorias principais (direção, por exemplo), mas isso faz parte do jogo.

Não fazia parte da expectativa, porém, que todos os atores premiados do ano fossem estrangeiros, muito menos que dois deles nem falassem inglês em seus países de origem. Este foi o caso do espanhol Javier Bardem, premiado como melhor coadjuvante no filme dos Coen, e da francesa Marion Cotillard, merecidamente a melhor atriz da noite pela sua encarnação visceral da cantora Edith Piaf em Piaf – Um Hino ao Amor (que também levou o prêmio de maquiagem). Os outros dois estrangeiros foram ingleses – Tilda Swinton, melhor coadjuvante feminina por Conduta de Risco e Daniel Day-Lewis, pelo seu desempenho insano em Sangue Negro.

Embora o nome do presidente George W. Bush não fosse pronunciado uma única vez em toda noite – o que certamente aconteceria se o prêmio de melhor documentário fosse dado a Michael Moore (que concorria com Sicko – SOS Saúde), o que não ocorreu -, nem por isso a política deixou de estar no centro de várias piadas do apresentador Jon Stewart.

Ele ironizou os oitenta anos do Oscar, completados este ano, dizendo que com essa idade, era o candidato ideal para os republicanos nas próximas eleições. Em outra ocasião, perguntou à platéia, lotada de atores, produtores e diretores, “em qual candidato democrata” iriam votar. E ironizou também um dos candidatos democratas, Hillary Clinton, dizendo que ela havia achado “muito inspirador” o filme Longe Dela - nele, a protagonista (Julie Christie, que concorria ao troféu de melhor atriz), tem mal de Alzheimer e começa a esquecer quem é seu marido...

A nota mais política da noite, porém, foi quando um grupo de soldados americanos, homens e mulheres, anunciou num link via satélite, diretamente do Iraque, os concorrentes ao Oscar de melhor documentário. Entre os longas, duas produções abordavam criticamente a presente guerra. Um deles levou o prêmio: Taxi to the Dark Side, que recupera a história de um taxista afegão, preso, torturado e morto pelos norte-americanos. O diretor, Alex Gibney, ao pegar sua estatueta, dedicou-a a duas pessoas que não podiam estar ali - ao próprio protagonista de seu filme e ao seu pai, que já morreu. E encerrou assim sua fala: “Vamos mudar este país”, sendo muito aplaudido.

Barbadas e bobagens
Fora os prêmios dos atores principais, Marion e Day-Lewis, tidos sempre como muito certos, outra barbada da noite foi a premiação de Ratatouille como melhor animação. A novata Diablo Cody levou, como se esperava, o único prêmio para a novidade gracinha do ano, Juno, como melhor roteiro original.

Sweeney Todd... venceu um muito merecido troféu de direção de arte, arrebatado pelo veterano italiano Dante Ferretti, que foi colaborador de ninguém menos do que Federico Fellini. Desejo e Reparação, que tinha sete indicações, ficou apenas com o de melhor trilha sonora (Dario Marianelli).

Nenhuma estranheza para os três prêmios técnicos dados a Ultimato Bourne, melhores efeitos sonoros, mixagem de som e montagem. Mas soaram esquisitas as premiações de melhor figurino para Elizabeth – A Era de Ouro e efeitos visuais para A Bússola de Ouro. Estas duas soaram piores do que prêmios de consolação...

Mais um filme abordando temas ligados ao nazismo venceu o Oscar de filme estrangeiro, onde o Brasil não concorreu: foi a produção austríaca The Counterfeiters (Os Falsários), de Stefan Ruzowitsky.

Um momento de gentileza ocorreu quando o apresentador Stewart chamou de volta ao palco a tcheca Markéta Irglóva, uma das vencedoras do Oscar de melhor canção (“Falling Slowly”, do filme Once). O microfone dela tinha sido cortado bem na hora em que ela ia agradecer, depois do parceiro Glen Hansard ter falado, e ela ganhou nova chance minutos depois. Foi inédito e civilizado, não repetindo uma indelicadeza atroz cometida, anos atrás, com o ator Martin Landau.

Sunday, February 24, 2008

AND THE OSCAR GOES TO... (VI)


Melhor Roteiro Original (entregue por Harrison Ford)
Tamara Jenkins (A Família Savage)
Brad Bird e Jim Capobianco (Ratatouille)
Diablo Cody (Juno)
Tony Gilroy (Conduta de Risco)
Nancy Oliver (Lars and the Real Girl)

Melhor Ator (prêmio entregue por Helen Mirren)
George Clooney (Conduta de Risco)
Johnny Depp (Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet)
Tommy Lee Jones (No Vale das Sombras)
Viggo Mortensen (Senhores do Crime)
Daniel Day-Lewis (Sangue Negro)

Melhor Diretor (prêmio entregue por Martin Scorsese)
Ethan e Joel Coen (Onde os Fracos Não Têm Vez)
Julian Schnabel (O Escafandro e a Borboleta)
Paul Thomas Anderson (Sangue Negro)
Jason Reitman (Juno)
Tony Gilroy (Conduta de Risco)

Melhor Filme (prêmio entregue por Denzel Washington)
Desejo e Reparação
Onde os Fracos Não Têm Vez
Sangue Negro
Juno
Conduta de Risco

TAPETE VERMELHO (II)

Javier Bardem e os diretores Joel e Ethan Coen comemoram a vitória de Onde os Fracos Não Têm Vez.
Daniel Day-Lewis, vencedor do Oscar de Melhor Ator por Sangue Negro.
Marion Cotillard, vencedora do Oscar de Melhor Atriz por Piaf- Um Hino ao Amor.
Javier Bardem, vencedor do Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, por Onde os Fracos Não Têm Vez.
Tilda Swinton, vencedora do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por Conduta de Risco.
Diablo Cody, vencedora do Oscar pelo roteiro original de Juno.

AND THE OSCAR GOES TO... (V)

Melhor Filme Estrangeiro (entregue por Penelope Cruz)
Mongol (Cazaquistão)
12 (Rússia)
Beaufort (Israel)
The Counterfeiters (Áustria)
Katyn (Polônia)

Melhor Canção (entregue por John Travolta)
Falling Slowly (Once), de Glen Hansard e Marketa Irglova
Happy Working Song (Encantada), de Alan Menken e Stephen Schwartz
Raise It Up (O Som do Coração)
So Close (Encantada). de Alan Menken e Stephen Schwartz
That's How You Know (Encantada), de Alan Menken e Stephen Schwartz



Melhor Fotografia (prêmio entregue por Cameron Diaz)
O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Redford
O Escafandro e a Borboleta
Desejo e Reparação
Onde os Fracos Não Têm Vez
Sangue Negro

Melhor Trilha Sonora (prêmio entregue por Amy Adams)
Desejo e Reparação
O Caçador de Pipas
Conduta de Risco
Ratatouille
Os Indomáveis

Melhor Curta-Metragem documentário (prêmio entregue por Tom Hanks)
Freeheld
La Corona (The Crown)
Salim Baba
Sari's Mother

Melhor Documentário (prêmio entregue por Tom Hanks)
No End in Sight
Operation Homecoming: Writing the Wartime Experience
Sicko - SOS Saúde
Taxi to the Dark Side
War/ Dance

AND THE OSCAR GOES TO... (IV)

Melhor Som (entregue por Jonah Hill e Seth Rogen)
O Ultimato Bourne
Ratatouille
Onde os Fracos Não Têm Vez
Sangue Negro
Transformers

Melhor Efeitos Sonoros (entregue por Jonah Hill e Seth Rogen)
O Ultimato Bourne
Ratatouille
Onde os Fracos Não Têm Vez
Os Indomáveis
Transformers

Melhor Atriz (prêmio entregue por Forest Whitaker)
Laura Linney (A Família Savage)
Cate Blanchett (Elizabeth - A Era de Ouro)
Ellen Page (Juno)
Marion Cotillard (Piaf - Um Hino ao Amor)
Julie Christie (Longe Dela)




Melhor Montagem (entregue por Renné Zellweger)
O Ultimato Bourne
O Escafandro e a Borboleta
Na Natureza Selvagem
Onde os Fracos Não Têm Vez
Sangue Negro

AND THE OSCAR GOES TO... (III)

Melhor Curta-Metragem (prêmio entregue por Owen Wilson)
At Night
Il Supplente (The Substitute)
Le Mozart des Pickpockets (The Mozart of Pickpockets)
Tanghi Argentini
The Tonto Woman

Melhor Curta-Metragem de animação (prêmio anunciado pela abelhinha de Bee Movie, com a voz de Jerry Seinfeld)
I Met the Walrus
Madame Tutli-Putli
My Love (Moya Lyubov)
Peter & the Wolf
Même Les Pigeons Vont au Paradis (Even Pigeons Go to Heaven)

Melhor Atriz Coadjuvante (prêmio entregue por Alan Arkin)
Ruby Dee (O Gângster)
Saoirse Ronan (Desejo e Reparação)
Cate Blanchett (Não Estou Lá)
Amy Ryan (Medo da Verdade)
Tilda Swinton (Conduta de Risco)

Melhor Roteiro Adaptado (prêmio entregue por Josh Brolin e James McAvoy)
Christopher Hampton (Desejo e Reparação)
Sarah Polley (Longe Dela)
Ronald Harwood (O Escafandro e a Borboleta)
Joel Coen e Ethan Coen (Onde os Fracos Não Têm Vez)
Paul Thomas Anderson (Sangue Negro)

AND THE OSCAR GOES TO... (II)

Melhores Efeitos Visuais (prêmio apresentado por Dwayne Johnson)
Piratas do Caribe - No Fim do Mundo
A Bússola de Ouro
Transformers


Melhor Direção de Arte (prêmio apresentado por Cate Blanchett)
O Gângster
Desejo e Reparação
A Bússola de Ouro
Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet
Sangue Negro

Melhor Ator Coadjuvante (prêmio entregue por Jennifer Hudson)
Javier Bardem (Onde os Fracos Não Têm Vez)
Casey Affleck (O Assassinato De Jesse James Pelo Covarde Robert Ford )
Philip Seymour Hoffman (Jogos do Poder)
Tom Wilkinson (Conduta de Risco)
Hal Holbrook (Na Natureza Selvagem)

TAPETE VERMELHO

Ruby Dee, finalista do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por O Gângster.
Julie Christie, indicada ao Oscar de Melhor Atriz por Longe Dela.
Cate Blanchett, que concorre ao Oscar de Melhor Atriz por Elizabeth- A Era de Ouro e ao de Melhor Atriz Coadjuvante por Não Estou Lá.
Johnny Depp, finalista da categoria Melhor Ator por Sweeney Todd, e sua esposa, Vanessa Paradis.
Laura Linney é uma das finalistas da categoria Melhor Atriz pelo filme A Família Savage.
Amy Ryan é uma das indicadas ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, por Medo da Verdade.
Jason Reitman, que concorre ao Oscar de Melhor Direção por Juno, e seu pai, o também diretor Ivan Reitman.
Ellen Page, indicada ao Oscar de Melhor Atriz pelo papel-título de Juno.
Saoirse Ronan, indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por Desejo e Reparação.
Sarah Larson e seu namorado George Clooney no Tapete Vermelho do Teatro Kodak. Clooney concorre ao Oscar de Melhor Ator, por sua atuação em Conduta de Risco.
O ator Tom Wilkinson é um dos indicados na categoria Melhor Ator Coadjuvante, pelo filme Conduta de Risco.
Julian Schnabel, indicado ao Oscar de Melhor Direção, por O Escafandro e a Borboleta.
Tommy Lee Jones, indicado ao Oscar de Melhor Ator por No Vale das Sombras e que também está no elenco de Onde os Fracos Não Têm Vez.

AND THE OSCAR GOES TO...

Melhor Figurino (prêmio entregue por Jennifer Garner)
Across The Universe
Desejo e Reparação
Elizabeth: A Era de Ouro
Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet
Piaf - Um Hino ao Amor


Melhor Animação (prêmio entregue por Steve Carell e Anne Hathaway)
Persépolis
Ratatouille (Brad Bird)
Tá Dando Onda

Melhor Maquiagem (prêmio entregue por Katherine Heigl)
Piaf - Um Hino ao Amor
Norbit
Piratas do Caribe - No Fim do Mundo

KODAK THEATRE

O Teatro Kodak abriu em 9 de Novembro de 2001, como parte de um complexo de entretenimento chamado "Hollywood & Highland", construído pela empresa Trizec Hahn num local mais conhecido pelos restaurantes de "fast food" e lojas para turistas do que pelo "glamour" do mundo cinematográfico.
A Eastman Kodak concordou em pagar 75 milhões de dólares (90 milhões de euros) durante 20 anos para ter direito a dar o seu nome ao teatro, que já abrigou concertos de Prince, Barry Manilow e Celine Dion.
O Oscar é realizado no Kodak Theatre desde 2002.

Saturday, February 23, 2008

NOTAS DOS CRÍTICOS

(clique na planilha para ampliá-la)

Se dependesse das notas dadas por críticos de cinema de diversos jornais, revistas e sites, o filme Onde os Fracos Não Têm Vez, de Ethan e Joel Coen levaria o Oscar 2008 de Melhor Filme.
Com Média 9,19, o filme superaria os concorrentes Sangue Negro (8,84), Juno (7,82), Desejo e Reparação (7,13) e Conduta de Risco (7,02).

JUNO

(EUA, 2007)
Direção: Jason Reitman
Elenco: Ellen Page, Michael Cera, Jennifer Garner, Jason Bateman, Allison Janney, J.K. Simmons, Olivia Thirlby, Eileen Pedde, Rainn Wilson, Daniel Clark (2), Darla Vandenbossche, Aman Johal, Valerie Tian, Emily Perkins (1), Kaaren de Zilva
Sinopse: O filme conta a história de Juno MacGuff, uma adolescente do estado americano de Minnesota que mora com o pai "Mac", a madrasta Brenda e a irmãzinha Liberty Bell e, aos 16 anos, descobre que está grávida após uma transa no sofá com Paulie Bleeker, um amigo do colégio que gosta de correr e de Tic Tac de laranja.
Como a jovem não tem condições de cuidar da criança, ela pede ajuda para a amiga Leah, que inicialmente sugere uma clínica de aborto, mas Juno resolve enfrentar a gravidez e depois doar o bebê para alguém que possa criá-lo.
Por meio de um anúncio nos classificados de uma revista, Juno e Leah encontram Vanessa e Mark Loring, um jovem casal que parece perfeito para dar o lar e os cuidados que o bebê de Juno precisa.

Tuesday, February 19, 2008

OPINIÃO DO CRÍTICO: JUNO


RODRIGO CARREIRO, do site Cine Reporter:

"Todo cinéfilo sabe que os grandes estúdios de Hollywood têm dificuldades históricas para fazer bons filmes adolescentes. Não é preciso ser grande conhecedor de cinema para entender o motivo. A maior parte dos artistas que trabalham na indústria do entretenimento, incluindo diretores e roteiristas, está muito acima da casa dos 30 anos. Pertencem, portanto, a gerações diferentes daquela que devem retratar. Para fazê-lo, por mais que tenham boa vontade, acabam recorrendo a estereótipos. O resultado é uma enxurrada de filmes bobos e cheios de clichês. “Juno” (EUA/Canadá, 2007) é uma rara e feliz exceção. O filme constrói um painel rico e excentricamente moderno de um tema difícil – a gravidez adolescente – e traça retrato acurado de uma geração que, até bem pouco tempo, ainda não havia sido bem representada em filmes de massa.

Mérito, em grande parte, do diretor Jason Reitman (“Obrigado por Fumar”), e não apenas porque ele tinha 29 anos quando iniciou as filmagens – jovem o suficiente para entender as pessoas que iria retratar. O mérito de Reitman foi reconhecer talento no trabalho de uma roteirista amadora. Ou melhor, uma ex-stripper, blogueira e festeira de carteirinha que um dia se meteu a escrever um roteiro. Foi uma ousadia dele. Diablo Cody tinha só 25 anos quando escreveu a saga em tom menor de uma garota de 16 anos que engravida acidentalmente, após a primeira relação sexual, e decide levar em frente a gestação (“bebês de dois meses têm unhas!”). Cody faz o tipo “21th Century Girl”, simultaneamente fofinha e durona – tatuagens de Betty Boop, franjas excêntricas, minissaias coloridas e botas de cano alto, pele mantida orgulhosamente alva por uma vida noturna agitada, e fã de Wes Anderson. Ela se mudou para a Califórnia para morar com o namorado que conheceu em bate-papos na Internet, e conheceu Jason Reitman por lá.

O que tudo isso quer dizer? Que Diablo Cody não é uma profissional de Hollywood. Para um profissional do ramo, escrever sobre adolescentes ou sobre uma tribo de canibais africanos seria a mesma coisa. Mas quando Cody sentou para escrever o roteiro de um filme jovem, não estava trabalhando em material puramente ficcional, por obrigação. Estava transportando material que havia vivido e observado para criar ficção sobre uma base real. “Juno” é o primeiro roteiro assinado por ela. Não é surpresa que o texto alimente um desprezo relativo – e saudável – pelas regras clássicas de uma narrativa cinematográfica. O objetivo de Cody não era criar um “filme para adolescentes”, mas uma história em que sua própria geração se reconhecesse. Já que não havia ninguém fazendo isso em Hollywood, ora, ela mesma poderia fazer, certo?

Vem daí a multifacetada e meticulosa composição de personagens. A protagonista, menina de personalidade forte e senso de humor peculiar, esperto e meio mórbido, faz o gênero “futura riot girl”: paredes do quarto forrada de fotos de homens mais velhos, fã de punk rock, acha que 1977 foi o melhor ano da história do rock’n’roll. Parte de Juno continua criança, como provam as bonecas nas prateleiras do quarto e o telefone em forma de hambúrguer, mas ela entende que é hora de crescer. Por isso, toma a decisão de perder a virgindade. Quem melhor para fazer isso do que o melhor amigo, um garoto tímido, magricela e fã de Tic Tac de laranja? Num teen movie comum, Bleeker (Michael Cera) seria saco de pancadas dos valentões da escola, mas não neste filme. A abordagem do diretor Jason Reitman é carinhosa e delicada. “Juno” foi feito por freaks para freaks.

Filmado por apenas US$ 7,5 milhões, o longa se encaixa perfeitamente no estilo de filmes fofinhos, que provoca chiliques no público alternativo do Festival de Sundance. Seria, por equivalência, o correspondente a “Pequena Miss Sunshine” na safra 2007. A diferença entre os dois títulos, porém, é abissal. Ao contrário do outro, “Juno” tem personalidade própria. Não recorre a fórmulas narrativas e não tenta dar lição de moral – aliás, quem diria que um filme distribuído pela conservadora Fox trataria uma gravidez adolescente de forma tão surpreendente, e ainda por cima exibindo um final tão esquisito e incomum? Além disso, o filme capta com perfeição o senso de hedonismo da juventude contemporânea, aquela idéia não-verbal de que o universo deve girar torno de você, e que não vale a pena desviar a atenção dos prazeres da vida com nada. Você entende o espírito.

Com todas as virtudes computadas, também não é um filme perfeito. Longe disso. Um dos maiores problemas está na direção de arte excessiva, poluída e com influência acentuada dos filmes do diretor Wes Anderson (a lista dos dez DVDs preferidos da roteirista Diablo Cody inclui “Os Excêntricos Tenenbaums”). Basta reparar na vestimenta que Bleeker utiliza para fazer educação física na escola – qual o colégio que usaria um fardamento exótico e colorido como aquele? Além disso, se o filme acerta na composição dos personagens adolescentes, por outro lado erra feio no que diz respeito aos adultos – exceção feita ao personagem Mark (Jason Bateman), que é na verdade um adolescente preso no corpo de um cara de 30 anos. Um exemplo? Quando ficam sabendo sobre a gravidez, os pais de Juno tomam uma atitude não apenas irresponsável, mas surreal, especialmente para uma família cuja madastra chora durante uma ultrassonografia.

A trilha sonora folk, com quantidade generosa de música acústica, ajuda a aproximar “Juno” de obras como “Ensina-me a Viver” (1971), de Hal Ashby, cuja atmosfera agridoce é idêntica. De fato, o número de canções soa excessivo, mas a música funciona, pois tem uma qualidade de rascunho melódico que casa bem com a idéia de um filme sobre uma personalidade em construção. Como se tudo isso não bastasse, o elenco está ótimo. A jovem Ellen Page tem a fragilidade e o tom decidido da personagem-título, demonstrando mais uma vez (“MeninaMá.com”) que está no caminho certo para se tornar uma das grandes atrizes de sua geração. Jason Bateman mostra química impecável com a protagonista, e Jennifer Garner não compromete. Michael Cera meio que repete o mesmo personagem de “Superbad” (2007), mas a participação é pequena e por isso o que poderia ser um problema se torna um dado positivo, já que após o grande sucesso do filme de Greg Mottola, fica fácil para o público vê-lo na pele do jovem confuso e apaixonado que não sabe como verbalizar os sentimentos.

O sucesso de “Juno” nas bilheterias norte-americanas – arrecadação superior a US$ 80 milhões, mesmo após um lançamento discreto que ocupava apenas salas periféricas e alternativas – assinala um momento especial para o gênero teen, dentro dos grandes estúdios. Afinal de contas, a safra de 2007 trouxe títulos anormais, como o ótimo e já citado “Superbad”, que lançam um olhar de igual para igual aos adolescentes. “Juno” se encaixa perfeitamente dentro desta nova tendência, e o sucesso alcançado na temporada de prêmios, até mesmo com indicação ao Oscar de melhor filme, faz do filme de Jason Reitman uma espécie de ponta-de-lança deste movimento. No fim das contas, os defeitos de “Juno” importam menos do que a vontade palpável de observar a adolescência como ela é, e não como os adultos imaginam que ela seja."

Monday, February 18, 2008

OSCAR 2008 - MELHOR CANÇÃO ORIGINAl

Encantada tem três canções indicadas ao Oscar

Os vencedores do Oscar de MELHOR CANÇÃO ORIGINAL dos últimos anos foram: Melissa Etheridge - I Need To Wake Up (Uma Verdade Inconveniente, 2007); Jordan Houston, Cedric Coleman e Paul Beauregard - It’s Hard Out Here for a Pimp (Ritmo de Um Sonho, 2006); Jorge Drexler – Al Otro Lado Del Rio (Diários de Motocicleta , 2005); Fran Walsh, Howard Shore e Annie Lennox – Into the West (O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei, 2004); Eminem – Lose Yourself (8 Mile- Rua das Ilusões, 2003); Randy Newman – If I Didn’t Have You (Monstros S. A., 2002); Bob Dylan - Things Have Changed (Garotos Incríveis, 2001); Phil Collins - You'll Be In My Heart (Tarzan, 2000) e Stephen Schwartz- When You Believe (O Príncipe do Egito, 1999).

Os indicados em 2008 são:

Falling Slowly (Once)
Happy Working Song (Encantada)
Raise It Up (O Som do Coração)
So Close (Encantada)
That's How You Know (Encantada)

Falling Slowly (Glen Hansard)

I don't know you
But I want you
All the more for that
Words fall through me
And always fool me
And I can't react
And games that never amount
To more than they're meant
Will play themselves out

Take this sinking boat and point it home
We've still got time
Raise your hopeful voice you have a choice
You've made it now

Falling slowly, eyes that know me
And I can't go back
Moods that take me and erase me
And I'm painted black
You have suffered enough
And warred with yourself
It's time that you won

Take this sinking boat and point it home
We've still got time
Raise your hopeful voice you had a choice
You've made it now

Take this sinking boat and point it home
We've still got time
Raise your hopeful voice you had a choice
You've made it now
Falling slowly sing your melody
I'll sing along


Raise It Up, Jamia Simone Nash

No father figure in the house
and i'm wonderin' how i'm gonna work it out

oh my friends keep on tellin' me how i don't need that man but they don't really understand

there's far too many presures in reality but dealing with the pain and stress and poverty
and i gotta be myself because there's nobody else for me (ohhhh)

(heading there with me) sometimes it takes a different kind of love to raise a child
(so don't give up) so don't give up
(when presures come down) sometimes it takes a different kind of dream to make you smile
(so raise it up) so raise
(hang in there with me) sometimes we need another helping hand to show the ways
(so don't give up) so don't give up
(when presures come down) sometimes it seems inpossible and that's why we pray
(so raise it up) we raise

[HOPE] seems to be nothing left for me mommas gone daddy didnt wanna be and now im all by myself wonderin where is love or
should i just give up

life falls down on me, cuts into my soul but i know i got the strength to make it throgh it all cause im still standin tall
breaking throgh this wall im gonna give my all

[HOPE] feelin like a motherless child hankered into my soul its bringing me down cant find my smile on a face of a
motherless child
im gonna break down these walls gonna give it my all ya know
yeah yeah yeah yeahhhh
(hang in there with me) sometimes it takes a different kind of love to raise a child
(so dont give up) so dont give up
(when pressures come down) sometimes it takes a different kind of dream to make a smile
(so raise it up) so raise it up
(hang in there with me) raise it up
sometimes it takes another helping hand to show you the way
(so dont give up, when presures come down)
[HOPE] sometimes it seems impossible thats why we pray
SO RAISE IT UP


Happy Working Song

All right everyone, time to tidy things up

Come my little friends
As we all sing a happy little working song
Merry little voices clear and strong
Come and roll your sleeves up
So that we can pitch in
Cleaning crud up in the kitchen
As we sing along

And you’ll trill a cheery tune in the tub
As we scrub a stubborn mildew stain
Lug a hairball from the shower drain
To the gay refrain
Of a happy working song

We’ll keep singing without fail
Otherwise we’d spoil it
Hosing down the garbage pail
And scrubbing up the toilet
Ooh!

How we all enjoy letting loose with a little
La-da-da-dum-dum
While we’re emptying the vacu-um
It’s such fun to hum
A happy working song
Oo-ooh
A happy working song

Oh, how strange a place to be
Till Edward comes for me
My heart is sighing
Still, as long as I am here
I guess a new experience
Could be worth trying
Hey! Keep drying!

You could do a lot when you got
Such a happy little tune to hum
While you’re sponging up the soapy scum
We adore each filthy chore
That we determine
So friends even though you’re vermin
We’re a happy working song

Singing as we fetch the detergent box
Or the smelly shirts and the stinky socks
Sing along
If you cannot sing then hum along
As we’re finishing our happy working song!

Ah...wasn’t this fun?



So Close

You’re in my arms
And all the world is calm
The music playing on for only two
So close together
And when I’m with you
So close to feeling alive

A life goes by
Romantic dreams will stop
So I bid mine goodbye and never knew
So close was waiting, waiting here with you
And now forever I know
All that I wanted to hold you
So close

So close to reaching that famous happy end
Almost believing this was not pretend
And now you’re beside me and look how far we’ve come
So far we are so close

How could I face the faceless days
If I should lose you now?
We’re so close
To reaching that famous happy end
And almost believing this was not pretend
Let’s go on dreaming for we know we are
So close
So close
And still so far


That's How You Know

Giselle:
How does she know you love her?
How does she know she's yours?

Man:
How does she know that you love her?

Giselle:
How do you show her you love her?

Both:
How does she know that you really, really, truely love her?
How does she know that you love her?
How do you show her you love her?
How does she know that you really, really, truely love her?

Giselle:
It's not enough to take the one you love for granted
You must remind her, or she'll be inclined to say...
"How do I know he loves me?"
(How does she know that you love her?
How do you show her you love her?)
"How do I know he's mine?"
(How does she know that you really, really, truely love her?)

Well does he leave a little note to tell you you are on his mind?
Send you yellow flowers when the sky is grey? Heyy!
He'll find a new way to show you, a little bit everyday
That's how you know, that's how you know!
He's your love...

Man:
You've got to show her you need her
Don't treat her like a mind reader
Each day do something to need her
To believe you love her

Giselle:
Everybody wants to live happily ever after
Everybody wants to know their true love is true...
How do you know he loves you?
(How does she know that you love her?
How do you show her you need her?)
How do you know he's yours?
(How does she know that you really, really, truely-)

Well does he take you out dancin' just so he can hold you close?
Dedicate a song with words in
Just for you? Ohhh!

All:
He'll find his own way to tell you
With the little things he'll do
That's how you know
That's how you know!

Giselle:
He's your love
He's your love...

That's how you know
(la la la la la la la la)
He loves you
(la la la la la la la la)
That's how you know
(la la la la la la la la)
It's true
(la la la la la)

Because he'll wear your favorite color
Just so he can match your eyes
Rent a private picnic
By the fires glow-oohh!

All:
His heart will be yours forever
Something everyday will show
That's how you know
(That's how you know)
That's how you know
(That's how you know)
That's how you know
(That's how you know)
That's how you know
(That's how you know)
That's how you know
(That's how you know)
That's how you know
(That's how you know)
That's how you know!

Giselle:
He's your love...

Man:
That's how she knows that you love her
That's how you show her you love her

Giselle:
That's how you know...
That's how you know...
He's your love...

Sunday, February 17, 2008

ART DIRECTORS GUILD

Sangue Negro

Na 12ª edição da premiação da Art Directors Guild (ADG), o sindicato dos diretores de arte de Hollywood, foram concedidos prêmios de Excelência em Direção de Arte em três categorias de cinema.

Filme de Época ("Period Film")

Vencedor:
Sangue Negro (There Will Be Blood) - Jack Fisk

Outros finalistas:
O Gângster (American Gangster) - Arthur Max (I)
Desejo e Reparação (Atonement) - Sarah Greenwood (I)
Elizabeth: A Era de Ouro (Elizabeth: The Golden Age) - Guy Dyas
Sweeney Todd (Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street) - Dante Ferretti

Filme Contemporâneo (Contemporary Film)

Vencedor:
Onde os Fracos Não Têm Vez (No Country for Old Men) - Jess Gonchor

Outros finalistas:
O Ultimato Bourne (The Bourne Ultimatum) - Peter Wenham
O Caçador de Pipas (The Kite Runner) - Carlos Conti (I)
Conduta de Risco (Michael Clayton) - Kevin Thompson (I)
O Escafandro e a Borboleta (Le Scaphandre et le papillon) - Michel Eric; Laurent Ott

Filme de Fantasia (Fantasy Film)

Vencedor:
A Bússola de Ouro (The Golden Compass) - Dennis Gassner

Outros finalistas:
300 - James D. Bissell
Harry Potter e a Ordem da Fênix (Harry Potter and the Order of the Phoenix) - Stuart Craig (I)
Piratas do Caribe: No Fim do Mundo (Pirates of the Caribbean: At World's End) - Rick Heinrichs
Ratatouille - Harley Jessup

Na disputa do Oscar, concorrerão quatro trabalhos "de época": "Sangue Negro" - Jack Fisk e Jim Erickson; "O Gângster" - Arthur Max e Beth A. Rubino; "Desejo e Reparação" - Sarah Greenwood e Katie Spencer e "Sweeney Todd" - Dante Ferretti e Francesca Lo Schiavo e um "de fantasia": "A Bússola de Ouro" - Dennis Gassner e Anna Pinnock

A Bússola de Ouro

SANGUE NEGRO

(There Will Be Blood, EUA, 2007)
Direção: Paul Thomas Anderson.
Elenco: Daniel Day-Lewis, Paul Dano, Kevin J. O'Connor, Ciarán Hinds, Russell Harvard, Paul F. Tompkins.
Sinopse: 1898. Daniel Plainview era um obstinado prospector de petróleo, decidido a atingir os seus objetivos a qualquer custo.
Mesmo sob as mais precárias condições de segurança e salubridade, Daniel se metia em buracos abertos com explosivos no Novo México om sua picareta e procurava indícios nas rochas da existência do "ouro negro".
Nas reuniões de compra de terrenos para exploração, Daniel sempre levava o pequeno H.W. Plainview consigo.
Num de seus acordos, Daniel adquiriu um terreno em Little Boston, onde passou a liderar uma pequena comunidade formada pelas famílias dos prospectores.
Ali, Daniel ergueria três torres de perfuração do solo, e começaria a juntar uma fortuna ao mesmo tempo que tem que enfrentar seus piores sentimentos, como a angústia da solidão, o ódio e desconfiança sobre todos que o cercam e uma agressividade incontida.
Durante a sua trajetória do"zero" ao "muito longe" Plainview irá confrontar-se com Eli, o pastor de conduta duvidosa da Igreja da 3a. Revelação.
Filme baseado no romance “Oil!”, escrito em 1927 por Upton Sinclair.
Bastidores: Indicado aos Oscars de Melhor Filme, Direção, Ator (Daniel Day-Lewis), Roteiro Adaptado, Fotografia, Montagem, Direção de Arte e Edição de Som.

Saturday, February 16, 2008

APRESENTADORES DO OSCAR 2008

O produtor da festa do Oscar, Gil Cates (ao lado do presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, Sid Ganis), declarou que os vencedores do ano passado nas quatro categorias de atuação já confirmaram que irão dar prosseguimento à tradição de anunciarem os vencedores do ano seguinte – assim, espere ver Helen Mirren, Forest Whitaker, Alan Arkin e Jennifer Hudson no palco do Kodak Theater em 24 de fevereiro.

Mas não só: também marcarão presença Amy Adams, Jessica Alba, Cate Blanchett, Josh Brolin, Steve Carell, George Clooney, Penelope Cruz, Miley Cyrus, Patrick Dempsey, Cameron Diaz, Colin Farrell, Harrison Ford, Jennifer Garner, Tom Hanks, Anne Hathaway, Katherine Heigl, Jonah Hill, Dwayne “The Rock” Johnson, Nicole Kidman, James McAvoy, Queen Latifah, Seth Rogen, Martin Scorsese, Hilary Swank, John Travolta, Denzel Washington e Renée Zellweger.

Cate e Ganis também anunciaram os artistas que apresentarão as canções indicadas ao Oscar: “Happy Working Song” surgirá mais uma vez na voz de Amy Adams, enquanto Kristin Chenoweth e Marlon Saunders cantarão “That’s How You Know”. Já “So Close” será apresentada por Jon McLaughlin. Todas as três são do filme Encantada. “Raise It Up”, de O Som do Coração, será cantada por Jamia Simone Nash ao lado do IMPACT Teatro de Repertório do Harlem, encabeçado por Jamal Joseph. Finalmente, os astros de Once, Glen Hansard e Marketa Irglova, subirão ao palco para defender “Falling Slowly”.

Quanto à equipe de roteiristas da cerimônia, os veteranos Hal Kanter, Buz Kohan, Jon Macks e Bruce Vilanch já foram confirmados – e o apresentador Jon Stewart levará sua equipe do “The Daily Show” para auxiliá-lo.

Jon Stewart, o Mestre de Cerimônias

Monday, February 11, 2008

Visual Effects Society


Numa festa realizada no Kodak Grand Ballroon, em Hollywood (Los Angeles, EUA), a Visual Effects Society - instituição que premia os destaques em relação a efeitos especiais - anunciou os vencedores deste ano.

O longa-metragem Transformers foi o principal vencedor do prêmio, considerado o Oscar dos efeitos especiais por ser o principal na área. O blockbuster dirigido por Michael Bay levou quatro estatuetas: Melhores Efeitos Visuais num Filme Baseado nos Efeitos, Melhor Efeito Visual pela cena no deserto, Melhor Desenvolvimento de Modelos ou Bonecos e Melhor Composição de Efeitos - todos relacionados a um trabalho em longa-metragem.

O brasileiro Péricles Michielin recebeu duas indicações, nas categorias Destaque de Personagem de Animação (ao lado de Keith Smith, Scott Holmes e Kenn McDonald) e Destaque de Efeitos em Filmes de Animação (com Theo Vandernoot, Vincent Serritella e Rob Engle), pelo filme A Lenda de Beowulf, de Robert Zemeckis, mas não foi vencedor em nenhuma delas.

A Visual Effects Society conta com 1.600 associados, artistas, técnicos em artes e efeitos visuais. A entidade é representada em 17 países, inclusive no Brasil. Os profissionais concorrem anualmente a prêmios em 12 categorias em cinema, televisão, publicidade e videogames. Confira os longas-metragens premiados:

- Melhores Efeitos Visuais Num Filme Baseado nos Efeitos: Transformers
- Melhores Efeitos Visuais Secundários: Ratatouille
- Melhor Efeito Visual em uma Cena: Seqüência no deserto em Transfoermers
- Melhor Personagem Animado num Filme em live action: Piratas do Caribe - No Fim do Mundo (Davy Jones)
- Melhor Personagem de Animação: Ratatouille (Colette)
- Destaques Visuais Numa Animação: Ratatouille (comida)
- Melhor Ambiente Criado para um Filme em Live Action: O redemoinho em Piratas do Caribe - No Fim do Mundo
- Melhor Desenvolvimento de Modelos ou Bonecos: Transformers
- Melhor Composição de Efeitos: Transformers
- Melhores Efeitos Especiais: Harry Potter e a Ordem da Fênix

Os indicados ao Oscar de Melhores Efeitos Visuais são:

"A Bússola de Ouro"
"Piratas do Caribe: No Fim do Mundo"
"Transformers"

WRITERS GUILD OF AMERICA (II)

O Writers Guild of America (WGA), Sindicato dos Roteiristas norte-americanos, anunciou os vencedores de sua premiação anual.

ROTEIRO ORIGINAL
Diablo Cody, Juno

ROTEIRO ADAPTADO
Ethan e Joel Coen, Onde os Fracos Não Têm Vez

ROTEIRO DOCUMENTÁRIO
Alex Gibney, Taxi to the Dark Side

A história de um jovem taxista no Afeganistão é empregada como pano de fundo para discutir as crueis táticas empregadas pelo exército norte-americano em suas mais recentes guerras, num desrespeito flagrante ao determinado pela Convenção de Genebra.
O filme concorrerá ao Oscar de Melhor Documentário em Longa-Metragem.

Sunday, February 10, 2008

BAFTA AWARDS


Melhor Filme - Desejo e Reparação
Melhor Filme Britânico - This is England
Melhor Ator - Daniel Day-Lewis (Sangue Negro)
Melhor Atriz - Marion Cotillard (Piaf- Um Hino ao Amor)
Melhor Ator Coadjuvante - Javier Bardem (Onde os Fracos Não Têm Vez)
Melhor Atriz Coadjuvante - Tilda Swinton (Conduta de Risco)
Melhor Direção: Ethan e Joel Coen (Onde os Fracos Não Têm Vez)
Melhor Roteiro Original - Juno
Melhor Roteiro Adaptado - O Escafandro e a Borboleta
Melhor Fotografia - Onde os Fracos Não Têm Vez
Melhor Montagem - O Ultimato Bourne
Melhor Direção de Arte - Desejo e Reparação
Melhor Figurino - Piaf- Um Hino ao Amor
Melhor Trilha Sonora - Piaf- Um Hino ao Amor
Melhor Maquiagem - Piaf- Um Hino ao Amor
Melhor Som - O Ultimato Bourne
Melhores Efeitos Visuais - A Bússola de Ouro
Melhor Filme Falado em Língua não Inglesa - A Vida dos Outros
Melhor Animação - Ratatouille
Melhor Revelação - Shia La Beouf
Melhor Revelação Técnica - Matt Greenhalgh (roteirista)
Melhor Curta de Animação - The Pearce Sisters
Melhor Curta - Dog Altogether

Friday, February 08, 2008

FOTO DOS INDICADOS

Como é costume da Academia, um grande encontro entre os indicados em todas as categorias foi promovido para que estes recebessem diplomas reconhecendo a distinção e tirassem a tradicional foto da "turma"

Alguns recortes curiosos (você pode clicar na foto para ampliá-la):

Julian Schnabel, indicado como diretor por O Escafandro e a Borboleta confraternizando com Javier Bardem, indicado como Melhor Ator Coadjuvante por Onde os Fracos Não Tem Vez. Os dois trabalharam juntos em Antes do Anoitecer, quando Bardem interpretou o poeta cubano Reinaldo Arenas.




Michael Moore confiante no Oscar de Melhor Documentário por $O$ Saúde.




George Clooney e Viggo Mortensen concorrem pelo Oscar de Melhor Ator e pelo posto de mais famoso da foto.

Conflito de gerações: os indicados ao Oscar Hal Holbrook (Ator Coadjuvante, Na Natureza Selvagem), Ellen Page (Atriz, Juno), Casey Affleck (Ator Coadjuvante, O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford) e Julie Christie (Atriz, Longe Dela).

Ethan e Joel Coen, os irmãos diretores de Onde os Fracos Não Têm Vez, o favorito para o Oscar de Melhor Filme.

Ruby Dee (O Gangster) e Amy Ryan (Medo da Verdade) são concorrentes na categoria Melhor Atriz Coadjuvante.

Sarah Polley foi indicada na categoria Melhor Roteiro Adaptado por Longe Dela e Marion Cotillard na categoria Melhor Atriz por Piaf-Um Hino ao Amor.

Laura Linney, indicada ao Oscar de Melhor Atriz por The Savages.

A iraniana Marjane Satrapi e o francês Vincent Paronnaud são os diretores e artistas gráficos de Persépolis, que concorre na categoria Melhor Longa Metragem de Animação.

Roger Deakins concorrerá contra ele mesmo. Ele foi indicado na categoria Melhor Fotografia por dois trabalhos: Onde os Fracos Não Têm Vez e O Assassinato de Jesse James Pelo covarde Robert Ford.

Monday, February 04, 2008

PRODUCERS GUILD OF AMERICA AWARDS

O prêmio do Sindicato dos Produtores é recente - começou a ser dado em 1990, com Conduzindo Miss Daisy. Algumas vezes coincidiu com o Oscar, mas desde 2005 esta coincidência não tem acontecido na categoria principal - Melhor Filme:
Em 2005 o PGA escolheu O Aviador, a Academia escolheu Menina de Ouro; em 2006, o PGA escolheu O Segredo de Brokeback Mountain, e Academia preferiu Crash- No Limite; em 2007, o PGA escolheu Pequena Miss Sunshine, a Academia, Os Infiltrados. Em 2008, o PGA escolheu Onde os Fracos Não Têm Vez, e a Academia, vai escolher o quê?

Categoria: Produtor do Ano em Filmes de Animação

Vencedor:
"Ratatouille" (Walt Disney Pictures/Pixar Animation)
outros finalistas:
"Bee Movie" (Dreamworks Animation)
"The Simpsons Movie" (20th Century FOX)

Categoria: Produtor do Ano em Documentário

Vencedor:
"Sicko" (The Weinstein Company)
outros finalistas:
"Body Of War" (Phil Donahue Productions/Mobilus Media)
"Hear And Now" (HBO)
"Pete Seeger: The Power Of Song" (The Weinstein Company)
"White Light/Black Rain: The Destruction Of Hiroshima And Nagasaki" (HBO)

Categoria: Produtor do Ano em Filme para Cinema

Vencedor:
"No Country for Old Men" (Miramax/Paramount Vantage)
outros finalistas:
"The Diving Bell and the Butterfly" (Miramax)
"Juno" (Fox Searchlight)
"Michael Clayton" (Warner Bros.)
"There Will Be Blood" (Paramount Vantage/Miramax)

Sunday, February 03, 2008

OSCAR 2008 - MELHOR MAQUIAGEM (II)





















Marion Cotillard, indicada ao Oscar de melhor Atriz, se "transforma" em Edith Piaf em um dos trabalhos indicados ao Oscar de Melhor Maquiagem deste ano. Na terceira foto, a Piaf verdadeira.

Os vencedores do Oscar de MELHOR MAQUIAGEM dos últimos anos foram: David Marti e Montse Ribe (O Labirinto do Fauno, 2007); Howard Berger e Tami Lane (As Crônicas de Nárnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, 2006); Valli O’Reilly e Bill Corso (Desventuras em Série, 2005); Richard Taylor e Peter King (O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei, 2004); John Jackson e Beatrice De Alba (Frida, 2003); Peter Owen e Richard Taylor (O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel, 2002); Rick Baker e Gail Ryan (O Grinch, 2001) e Christine Blundell e Trefor Proud (Topsy-Turvy, 2000).

Os finalistas ao prêmio em 2008 são:

Didier Lavergne e Jan Archibald, por Piaf - Um Hino ao Amor

Rick Baker e Kazuhiro Tsuji, por Norbit

Ve Neill e Martin Samuel, por Piratas do Caribe: No Fim do Mundo

O filme Norbit, de Brian Robbins, recebeu 8 indicações ao Framboesa de Ouro, o prêmio dado aos piores filmes do ano. Mas o trabalho de maquiagem conseguiu uma indicação ao Oscar transfromando Eddie Murphy em Sr. Wong, Norbit e Rasputia.

Rick Baker é uma referência nesta categoria. Já recebeu seis vezes a estatueta, por Um Lobisomem Americano em Londres (1982), Um Hóspede do Barulho (1988), Ed Wood (1995), O Professor Aloprado (1997), MIB-Homens de Preto (1998) e O Grinch (2001), além de ter sido indicado por Greystoke: A Lenda de Tarzan (1985), Um Príncipe em Nova York (1989) e Até Que a Vida Os Separe (2000) na categoria Melhor Maquiagem e por Poderoso Joe (1999) na categoria Melhores Efeitos Visuais. Kazuhiro Tsuji foi indicado ao Oscar por Click (2007).

Ve Neill também tem sua história nas premiações. Já recebeu três vezes a estatueta, por Os Fantasmas se Divertem (1989), Uma Babá Quase Perfeita (1994) e Ed Wood (1995, em parceria com Rick Baker), além de ter sido indicado por Edward Mãos de Tesoura (1991), Batman-o Retorno (1993) , Hoffa (também em 1993) e Piratas do Caribe: a Maldição do Pérola Negra (2004, em parceria com Martin Samuel).

No trabalho dos maquiadores de Piratas do Caribe: No Fim do Mundo, a transformação de Keith Richards, o guitarrista dos Rolling Stones, no pai de Jack Sparrow e a caracterização dos Nove Lordes dos Mares e dos tripulantes do Holandês Voador do Capitão Davy Jones são alguns dos destaques.

Saturday, February 02, 2008

ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ

(No Country for Old Men, EUA, 2007)

Direção: Ethan Coen, Joel Coen

Roteiro de Joel Coen, Ethan Coen e Cormac McCarthy. Elenco: Woody Harrelson (Carson Wells), Tommy Lee Jones (Ed Tom Bell), Javier Bardem (Anton Chigurh), Stephen Root, Josh Brolin (Llewelyn Moss), Garret Dillahunt (Wendell) , Tess Harper (Loretta Bell), Kelly Macdonald (Carla Jean Moss)


Sinopse: Após enforcar um policial na delegacia em que estava preso, Anton Chigurh rouba uma viatura da polícia e segue rumo a uma cidadezinha no deserto do Novo México onde tem um encontro marcado com uns chefões do tráfico de drogas.

Soldador aposentado e veterano da Guerra do Vietnã, o texano Llewelyn Moss passava seu tempo caçando animais silvestres no deserto do Novo México quando avistou, com seu binóculo, um cão ferido e um rastro de sangue que o deixou intrigado. Ao seguir o rastro Moss avistou uma cena chocante numa planície adiante: cinco caminhonetes abandonadas no deserto rodeadas por vários cadáveres humanos sendo consumidos por insetos. Havia um sobrevivente dentro de uma das caminhonetes, um mexicano assustado que pediu água para Moss. As evidências levaram Moss a acreditar que naquele local ocorrera uma negociação de traficantes de drogas que terminou mal, mas ele desconfiava que mais alguém devia ter saído do local vivo.

Foi então que Moss avistou com seu binóculo um corpo sob a sombra de uma árvore alguns metros adiante. Moss esperou algum tempo para saber se o tal corpo era de alguém vivo ou de mais um cadáver e como o corpo não se mexeu, resolveu aproximar-se. Era mais um cadáver. Ao lado do corpo sob a árvore Moss encontrou uma maleta e dentro dela vários maços de notas de cem dólares em pacotes de US$ 10.000,00 cada. Uma fortuna.

Llewelyn Moss foi para casa com a maleta cheia de dólares, mas não contou nada do que aconteceu para sua esposa Carla Jean. De madrugada, porém, Moss levantou-se e resolveu voltar para a planície "ensanguentada" com o objetivo de levar água para o mexicano amedrontado.

Porém, ao chegar ao local, Moss é descoberto pelos traficantes que passam a persegui-lo e colocam ninguém menos que Anton Chigurh para recuperar a maleta de dólares. Moss passaria a viver como fugitivo, passando de um hotel para outro, e tentaria dar alguma segurança para sua esposa, que também passou a correr riscos. O que ninguém sabe é que Anton é um psicopata muito mais louco do que se podia imaginar, andando sempre com sua arma de ar comprimido, um silenciador de disparos e movido por "princípios" assustadores.


Bastidores: Indicado aos Oscars 2008 nas categorias Melhor Filme, Melhor Direção (Ethan e Joel Coen), Melhor Ator Coadjuvante (Javier Bardem), Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Montagem, Melhor Fotografia, Melhor Som e Melhor Edição de Som.

OPINIÃO DO CRÍTICO: ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ (II)

PABLO VILLAÇA, do site Cinema em Cena:

"Quando escrevi sobre este filme, em novembro do ano passado, comentei que a maior parte do público sairia do cinema com um grande sentimento de frustração em função do desfecho apresentado pelo escritor Cormac McCarthy em seu livro e preservado fielmente pelos irmãos Coen em sua fabulosa adaptação de Onde os Fracos Não Têm Vez. Pois mantenho a previsão, embora lamente fazê-lo, já que, embora os cineastas neguem ao espectador uma conclusão amarradinha e dramaticamente catártica, o fato é que esta é tematicamente perfeita e enriquece o filme ainda mais, transformando-o no melhor trabalho de uma dupla que, em 23 anos de carreira e apenas 12 longas, já criou maravilhas como Gosto de Sangue, Arizona Nunca Mais, Ajuste Final, Barton Fink, Na Roda da Fortuna, Fargo e O Homem que Não Estava Lá.

Ambientado no Texas, em 1980, o roteiro acompanha o veterano do Vietnã Llewelyn Moss (Brolin), que, certa noite, encontra uma maleta com 2 milhões de dólares depois de se deparar com um massacre ocorrido no meio do deserto. Decidido a ficar com o dinheiro, ele passa a ser perseguido por bandidos mexicanos e – ainda pior – por um matador particularmente cruel que atende pelo estranho nome de Anton Chigurh (Bardem). Enquanto isso, o xerife Ed Tom Bell (Jones) tenta encontrar Llwelyn antes que este seja morto por Chigurh e, neste processo, se mostra cada vez mais impressionado com a matança promovida pelo sujeito.

Como na maioria dos projetos dos Coen, a trama de Onde os Fracos Não Têm Vez tem relativamente pouca importância quando comparada ao prazer que os cineastas sentem em desenvolver seus personagens – e, neste sentido, os diálogos criados por McCarthy em seu livro e transferidos para o roteiro com imenso respeito pelos irmãos são incrivelmente similares àqueles que os próprios diretores costumam criar em seus trabalhos originais (o que talvez explique por que decidiram, pela primeira vez, adaptar a obra de outra pessoa). Enriquecido pela cadência do sotaque texano, os diálogos ditos por figuras com nomes como Carla Jean e Ed Tom (que, por si só, já dizem muito sobre seus donos) são escritos com um cuidado que não faz distinção entre protagonistas e quase figurantes: quando Llewelyn pergunta o preço de um quarto para uma velha recepcionista de hotel, por exemplo, ela oferece uma resposta que diverte pela construção: “Cada um tem um preço aplicável” – e, mais tarde, quando alguém indaga o que o personagem de Brolin fez com o dinheiro, este responde com uma das melhores tiradas já filmadas pelos Coen: “Gastei 1,5 milhão em prostitutas e uísque. O resto, eu desperdicei”.

Com isso, Onde os Fracos Não Têm Vez apresenta-se como um destes raros exemplares da Hollywood moderna que são mais do que um espetáculo visual: eu poderia apenas escutar o filme centenas de vezes com o mais absoluto prazer. Considerem, por exemplo, a arquitetura quase poética de uma troca de diálogos entre Chigurh e Carson Wells, vivido por Woody Harrelson, em uma das melhores cenas do longa, quando, depois de ouvir Chigurh filosofar ironicamente sobre sua trajetória até ali, Carson comenta:

- Você tem idéia do quanto é louco?

- Você se refere à natureza desta conversa?

- Eu me refiro à natureza de sua pessoa.

E se você teme que eu tenha revelado diálogos demais do longa, pode acalmar-se: eu poderia empregar páginas e mais páginas apenas para comentar falas específicas do filme, tamanha a quantidade de trocas memoráveis como estas ali presentes. Porém, esta obra-prima (e usei esta expressão apenas duas vezes ao comentar cerca de 60 filmes da Mostra de São Paulo: a outra foi com relação a 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias) impressiona também por sua riqueza narrativa: mistura de western e filme noir, este talvez seja um dos trabalhos mais disciplinados dos Coen, que substituem seus costumeiros invencionismos visuais por uma lógica firme, apresentando aquele mundo como uma versão contemporânea (ou quase) de um “Velho Oeste” com códigos morais ainda mais degradados pelo tempo.

Neste sentido, o personagem de Bardem surge não apenas como um vilão assustador, mas como um símbolo do mundo-cão em que vivemos – e não seria errado considerá-lo como uma metáfora do verdadeiro Mal que nos surpreende em tragédias como a do garotinho arrastado e morto por assaltantes de carro, em São Paulo; a do casal de jovens barbaramente executado no litoral do Rio; ou a dos pais que tiveram sua morte planejada pela própria filha, há alguns anos. Numa Sociedade que chega ao ponto de encarar um psicopata como o Capitão Nascimento como herói, há muito que o sentimento de segurança deixou de existir: sabemos que, de um momento para o outro, um moleque armado com uma automática ou um playboy desesperado por crack podem pôr fim à vida de seus parentes ou de completos estranhos – e, neste aspecto, é impossível deixar de reconhecer o brilhantismo simbólico da cena em que Chigurh obriga um humilde atendente de posto de gasolina (o desconhecido Gene Jones, numa participação digna de prêmios) a disputar um tenso Cara ou Coroa que, ambos sabem, pode significar o fim da vida do sujeito.

Javier Bardem, aliás, oferece um desempenho nada menos do que perfeito como o apavorante Chigurh: utilizando um corte de cabelo que torna o personagem ainda mais inquietante, ele cria um monstro cuja natureza metafórica já é ressaltada por sua primeira cena, quando os Coen o apresentam com o rosto oculto, nas sombras, enquanto a narração de Tommy Lee Jones discute a crueldade incompreensível de certos indivíduos. Assim, quando finalmente podemos ver a face do vilão, ele surge já em ação e exibindo um olhar absolutamente insano, quase em transe, enquanto faz mais uma vítima. Porém, ator sempre inteligente, Bardem foge do histrionismo ao empregar uma voz sempre calma e controlada mesmo nas cenas em que Chigurh se mostra claramente irritado – e isto, aliás, reflete a natureza metódica do personagem, que, antes de agir, chega a preparar-se cuidadosamente ao ensaiar o tempo que levará para abrir uma porta e acender a luz ou ao estudar possíveis esconderijos que seus oponentes poderão utilizar num quarto de hotel. Enxergando suas vítimas como animais (não é à toa que ele emprega uma arma utilizada para abater gado), o matador ganha contornos quase míticos ao longo da projeção – e, em determinado instante, os Coen criam um quadro que coloca o espectador estrategicamente ao lado de um dos alvos de Chigurh, como se também estivéssemos sob sua mira, vulneráveis.

E se Bardem é, aqui, o Mal Encarnado, Tommy Lee Jones surge soberbo como a Voz da Razão, encarnando a frustração que todos sentimos diante da brutalidade crescente que faz do planeta um lugar que justifica tragicamente o título do filme (e pior: “fracos” são todos aqueles que recusam a desumanização, que mantêm seus princípios). Tentando enxergar o mundo de maneira filosoficamente pessimista, o xerife Ed Tom Bell sabe que jamais conseguirá acompanhar o ritmo com que a Sociedade vem se decompondo e, assim, seu cansaço torna-se cada vez mais crescente à medida que percebe estar no meio de uma batalha já perdida. E se os fracos são aqueles que buscam manter a própria integridade, como mencionei há pouco, o Llewelyn do ótimo Josh Brolin é a representação perfeita disso, já que é um gesto de humanidade (que ele reconhecer ser também algo estúpido de se fazer) que praticamente o condena a ser perseguido por Chigurh.

Filmado pelo brilhante Roger Deakins com uma paleta que realça a secura daquele (e do nosso) mundo, Onde os Fracos Não Têm Vez conta ainda com um design de som absolutamente primoroso: negando-se a empregar uma trilha sonora convencional, o filme extrai tensão dos sons diegéticos (aqueles originados em seu próprio universo), como o ranger do assoalho, o raspar metálico de uma maleta de couro num duto de aço ou o eco de um telefone que toca à distância enquanto, à nossa frente, o autor do telefonema ouve o sinal da chamada jamais atendida. Da mesma maneira, a montagem precisa de Roderick Jaynes (leia-se: Joel e Ethan Coen) constrói seqüências de ação angustiantes, como aquela que começa quando presa e caçador parecem se avaliar silenciosa e cegamente através da porta de um quarto de hotel – e mesmo a inclusão de um plano-detalhe de uma embalagem se abrindo lentamente num balcão pode ressaltar o tom ameaçador de uma cena. Além disso, os cineastas, como de hábito, extraem humor de momentos atípicos como a perseguição no rio envolvendo um cachorro (e Brolin, pela segunda vez em 2007, não poupa o animal) ou o protesto da sogra de Llewelyn quando este afirma que tudo ficará bem: “Ficará bem? Eu tenho o câncer!”.

Pessimista como o próprio xerife Ed Tom Bell, Onde os Fracos Não Têm Vez expõe com tristeza o terror crescente de nosso cotidiano, que pode trazer a dor num cruzamento claramente sinalizado, no virar de uma esquina (reparem como os tiros, na seqüência do tiroteio noturno, parecem vir do nada, da escuridão, inesperados e fatais) ou num arremesso de moeda. E se por um breve instante sonharmos com um futuro de segurança, com uma luz reconfortante e quente na noite escura e fria, esta esperança se mostrará frágil a ponto de ser destruída por três curtas palavras:

“E aí acordei”.