1986 - "A hora da estrela", de Suzana Amaral
1987 - "Um trem para as estrelas", de Cacá Diegues
1988 - "Romance da empregada", de Bruno Barreto
1989 - "Dias melhores virão", de Cacá Diegues
1991 - "A grande arte", de Walter Salles
1996 - "O quatrilho", de Fábio Barreto
1997 - "Tieta do Agreste", de Cacá Diegues
1998 - "O que é isso, companheiro?", de Bruno Barreto
1999 - "Central do Brasil", de Walter Salles
2000 - "Orfeu", de Cacá Diegues
2001 - "Eu, tu, eles", de Andrucha Waddington
2002 - "Abril despedaçado", de Walter Salles
2003 - "Cidade de Deus", de Fernando Meirelles
2004 - "Carandiru", de Hector Babenco
2005 - "Olga", de Jayme Monjardim
2006 - "Dois filhos de Francisco", de Breno Silveira
2007 - "Cinema, aspirinas e urubus", de Marcelo Gomes
2008 - "O ano em que meus pais saíram de férias", de Cao Hamburger
2009 - "Última parada 174", de Bruno Barreto
2010 - "Salve geral", de Sérgio Rezende
2011 - "Lula, o filho do Brasil", de Fábio Barreto
2012 - "Tropa de elite 2: O inimigo agora é outro", de José Padilha
2013 - "O palhaço", de Selton Mello
2014 - "O som ao redor", de Kleber Mendonça Filho
2015 - "Hoje eu quero voltar sozinho", de Daniel Ribeiro
2016 - "Que Horas Ela Volta?", de Anna Muylaert
Oito longa-metragens estavam habilitados para representar o Brasil na disputa do Oscar2016: ‘A história da eternidade‘ (Camilo Cavalcante), ‘Alguém Qualquer‘ (Tristan Aronovich), ‘Campo de jogo‘ (Eryc Rocha), ‘Casa Grande‘ (Fellipe Barbosa), ‘Entrando Numa Roubada‘ (André Moraes), ‘Estrada 47‘ (Vicente Ferraz), ‘Estranhos‘ (Paulo Alcântara) e ‘Que Horas Ela Volta?‘ (Anna Muylaert).
Wednesday, July 08, 2015
Monday, July 06, 2015
Calendário 2015/2016 de PREMIAÇÕES DE CINEMA
October 2015
22 - Gotham Award nominations announced
30 - Britannia Awards (BAFTA LA)
30 - Britannia Awards (BAFTA LA)
November 2015
TBD - British Independent Film Award nominations14 - AMPAS Governors Awards
18 - SAG nomination ballots mailed
24 - Independent Spirit Award nominations announced
25 - Deadline for Golden Globe nomination ballots to be mailed out to to HFPA members
30 - Gotham Awards
December 2015
1 - National Board of Review vote and announce winners1 - Annie Award nominations announced1 - WGA preliminary screenplay online voting begins
2 - DGA online voting for feature film nominations opens
3 - WGA Television, New Media, Radio, News, Promotional Writing, and Graphic Animation nominations announced6 - British Independent Film Awards7 - AFI Awards announced
7 - SAG nomination ballots due by 12pm PST
7 - Deadline for Golden Globe nomination ballots to be turned in
8 - PGA nomination polls open
9 - SAG Awards nominations announced
10 - Golden Globe nominations announced12 - European Film Awards
16 - SAG final ballots mailed
21 - Golden Globe final ballots mailed
30 - Academy Award nominations voting opens at 8am PST
January 2016
1 - Annie Award online voting opens2 - ACE Eddie Award nominations announced
4 - DGA deadline to submit votes for feature film nominations
4 - WGA deadline for preliminary screenplay online voting
5 - PGA Awards nominations announced
5 - Art Directors Guild nominations announced
5 - National Board of Review Awards Gala
6 - Deadline for receipt of final Golden Globe ballots from HFPA members
6 - WGA Theatrical and Documentary Screenplay nominations announced
7 - DGA final online voting for feature film award begins
7 - WGA final screenplay and series online voting begins
8 - BAFTA nominations announced
8 - Academy Award nominations voting closes at 5pm PST
10 - Golden Globe Awards11 - DGA deadline to vote for feature film nominations
12 - DGA nominations announced
14 - Academy Award nominations announced
23 - PGA Awards
25 - Annie Award voting closes
29 - SAG deadline to submit final votes by 12pm PST
29 - WGA deadline for final screenplay and series online voting
30 - SAG Awards
30 - ACE Eddie Awards
31 - Art Directors Guild Awards
February 2016
5 - DGA deadline to vote online for feature film award6 - DGA Awards6 - Annie Awards
8 - Academy Award nominees luncheon
12 - Academy Award final voting opens at 8am PST
13 - WGA Awards
14 - BAFTA Awards
23 - Academy Award final voting closes at 5pm PST
27 - Independent Spirit Awards (not yet confirmed but most likely)
28 - 88th Annual Academy Awards
Sunday, July 05, 2015
Hanezu
A região de Asuka, em Nara, é o berço do Japão. Atualmente é habitada por idosos, mas em outras épocas foi a capital do Japão, uma região cheia de famílias esperançosas de futuro e amantes da vida e da arte. O filme abre com uma escavação arqueológica e continua com uma narração dizendo-nos do mito japonês antigo no qual o Monte Unebi, o Monte Miminashi e o Monte Kagu, três montanhas japonesas, eram habitadas por deuses e constituíam um triângulo amoroso. Nos dias atuais, o filme mostra o cotidiano da artesã Kayoko (Hako Oshima), seu amante Takumi (Tohta Komizu), e seu parceiro Tetsuo (Tetsuya Akikawa), que reproduzem, como carma, o dilema das montanhas. A natureza é retratada com lirismo e há inúmeras referências a alimentos orgânicos e artesanato local.
"Hanezu" (Hanezu No Tsuki), de Naomi Kawase é um filme-poesia, a ser entendido dentro de sua estrutura de planos sobrepostos (mundo dos fantasmas + carma + mundo dos vivos) como um filme a ser apreciado num ritmo mais lento que o habitual, admirando a paisagem e a textura da natureza exuberante que explode nas telas e desarmando-se da expectativa por acontecimentos, pois neste caso o destino (trágico) já está traçado.
(Reserva Cultural 1)
Hora Menos
"A tragédia de Vargas" foi como ficou conhecida o conjunto de deslizamento de terra e inundações ocorridas na costa caribenha da Venezuela em dezembro de 1999, mais precisamente na região de Vargas, por isso a denominação. Foi o pior desastre natural que ocorreu na Venezuela durante o século XX. Estima-se de 10.000 a 50.000 mortes, pois não foi possível confirmar oficialmente o número.
Isabel e Yudeixi são duas mulheres de temperamento oposto que se veem unidas e se tornam imigrantes do dia para a noite. Isabel é uma enfermeira de 49 anos das Ilhas Canárias, mas mora na Venezuela. Yudeixi del Carmen é uma garota pobre de 17 anos que está acostumada a uma vida criminosa. Elas viajam para as Canárias para se refugiarem. Para Yudeixi poder permanecer na Europa, Isabel torna-se sua representante legal. Assim, elas são obrigadas a começar juntas do zero.
Hora Menos é um filme venezuelano que trata de maneira convencional da história da relação entre duas mulheres de gerações diferentes enfrentando uma crise pessoal desencadeada com um fato histórico - a tragédia de Vargas, o desabamento seguido de uma enxurrada que matou dezenas de milhares de pessoas no ano de 1999.
(Cine Sabesp)
http://www.horamenos.com/
Bollywood - A Maior História de Amor de Todos os Tempos Muitos dizem que Bollywood é a única cultura que une a Índia. Outros dizem que é uma influência corrupta para os indianos e que deveria ser banida do país. É um caso de amor que dura há 70 anos para quase dois bilhões de pessoas ao redor do mundo. Esse universo cinematográfico continua crescendo, abrangendo seus elementos mais importantes, criticados e amados: a música e a dança. O filme traz depoimentos de Amitabh Bachchan, Aishwarya Rai, Saroj Khan (coreógrafo) e Dev Anand. Identidade cultural ou Escapismo? Será que Bollywood reflete a mudança histórica e moral de uma das maiores e mais jovens democracias do mundo?
Bollywood - A Maior História de Amor de Todos os Tempos, de Rakeysh Omprakash Mehra e Jeff Zimbalist é um documentário que acaba servindo mais como uma propaganda da estética "bollywoodiana" do que um guia para quem quer conhecer efetivamente o cinema produzido na Índia, que rendeu recentemente versões ocidentalizadas de sucesso, como o filme "Quem Quer Ser Um Milionário?" e a novela brasileira "Caminho das Índias". Faltam referências nas cenas selecionadas, o contexto histórico é só exposto superficialmente, sem conexão com as imagens e músicas que preenchem a tela exaustivamente.
(Cine Sabesp)
"Hanezu" (Hanezu No Tsuki), de Naomi Kawase é um filme-poesia, a ser entendido dentro de sua estrutura de planos sobrepostos (mundo dos fantasmas + carma + mundo dos vivos) como um filme a ser apreciado num ritmo mais lento que o habitual, admirando a paisagem e a textura da natureza exuberante que explode nas telas e desarmando-se da expectativa por acontecimentos, pois neste caso o destino (trágico) já está traçado.
(Reserva Cultural 1)
Hora Menos
"A tragédia de Vargas" foi como ficou conhecida o conjunto de deslizamento de terra e inundações ocorridas na costa caribenha da Venezuela em dezembro de 1999, mais precisamente na região de Vargas, por isso a denominação. Foi o pior desastre natural que ocorreu na Venezuela durante o século XX. Estima-se de 10.000 a 50.000 mortes, pois não foi possível confirmar oficialmente o número.
Isabel e Yudeixi são duas mulheres de temperamento oposto que se veem unidas e se tornam imigrantes do dia para a noite. Isabel é uma enfermeira de 49 anos das Ilhas Canárias, mas mora na Venezuela. Yudeixi del Carmen é uma garota pobre de 17 anos que está acostumada a uma vida criminosa. Elas viajam para as Canárias para se refugiarem. Para Yudeixi poder permanecer na Europa, Isabel torna-se sua representante legal. Assim, elas são obrigadas a começar juntas do zero.
Hora Menos é um filme venezuelano que trata de maneira convencional da história da relação entre duas mulheres de gerações diferentes enfrentando uma crise pessoal desencadeada com um fato histórico - a tragédia de Vargas, o desabamento seguido de uma enxurrada que matou dezenas de milhares de pessoas no ano de 1999.
(Cine Sabesp)
http://www.horamenos.com/
Bollywood - A Maior História de Amor de Todos os Tempos Muitos dizem que Bollywood é a única cultura que une a Índia. Outros dizem que é uma influência corrupta para os indianos e que deveria ser banida do país. É um caso de amor que dura há 70 anos para quase dois bilhões de pessoas ao redor do mundo. Esse universo cinematográfico continua crescendo, abrangendo seus elementos mais importantes, criticados e amados: a música e a dança. O filme traz depoimentos de Amitabh Bachchan, Aishwarya Rai, Saroj Khan (coreógrafo) e Dev Anand. Identidade cultural ou Escapismo? Será que Bollywood reflete a mudança histórica e moral de uma das maiores e mais jovens democracias do mundo?
Bollywood - A Maior História de Amor de Todos os Tempos, de Rakeysh Omprakash Mehra e Jeff Zimbalist é um documentário que acaba servindo mais como uma propaganda da estética "bollywoodiana" do que um guia para quem quer conhecer efetivamente o cinema produzido na Índia, que rendeu recentemente versões ocidentalizadas de sucesso, como o filme "Quem Quer Ser Um Milionário?" e a novela brasileira "Caminho das Índias". Faltam referências nas cenas selecionadas, o contexto histórico é só exposto superficialmente, sem conexão com as imagens e músicas que preenchem a tela exaustivamente.
(Cine Sabesp)
Irmãs Jamais (Mostra 2011)
Uma mistura de documentário e ficção nostálgica e fantasiosa que retrata em seis episódios uma história sobre a família do diretor em Bobbio entre 1999 e 2008. Elena tem cinco anos e é criada por suas tias religiosas – irmãs de Bellocchio na vida real –, enquanto sua mãe Sara tenta a sorte como atriz em Milão. Giorgio, tio de Elena, tem uma relação difícil com a irmã e a recrimina por não criar a menina.
Em 2004 Giorgio se casaria com a designer de jóias Irene, mas o casamento não dura muito.
Em 2005 Sara tem a primeira chance real de sobressair-se na carreira de atriz em Milão, mas precisa saber o que fazer com a filha Elena, que está prestes a ser crismada em Bobbio. É o ano que a família se reúne para assinar os papéis da ampliação do túmulo da família e assiste á ópera "Il Trovatore".
Irmãs Jamais (Sorelle Mai) é um filme italiano de Marco Bellocchio que mistura ficção e reality show, já que levou dez anos para ser filmado e as mudanças físicas dos personagens são efeitos efetivos do passar do tempo.
Filmado em família e em ambientes familiares ao autor, é um exercício de linguagem interessantíssimo, apesar de ser também um exercício de risco cinematográfico, ao inserir elementos que não têm relação com os episódios anteriores na expectativa de que venham a ser utilizados posteriormente, como o Conselho de Classe de 2007 que introduz a inquilina professora de latim e grego numa passagem cheia de bom humor e que no entanto soa fora do contexto geral do filme.
(Cine Livraria Cultura 1)
Ócio (Mostra 2011)
Inverno em Buenos Aires nos anos 80. Andrés tem 24 anos e sente a morte recente da mãe. Sua vida ingressa em uma zona nebulosa: não tem trabalho, não estuda e não consegue comunicar-se com o irmão "Dragón" e com o pai animador de festas infantis, que completam sua família apática. Atordoado com a situação, Andrés tenta caminhar de alguma forma. Sem dinheiro, entre discos que rodam na sua vitrola, livros de Albert Camus, posters do seu time de coração, o Lorenzo de Almagro, cigarros e alguns poucos amigos também "ociosos" (Roli e Picasso), Andrés vai tateando, hesitante, para conseguir um emprego, enrola-se com vendedores de motos e tenta estabelecer um contato real com sua família e com o mundo exterior.
O filme argentino Ócio, de Alejandro Lingenti e Juan Villegas, com diálogos quase sempre monossílábicos, é pontuado por uma trilha sonora feita por músicas e riffs de guitarra do rock argentino dos anos 80, de bandas como Spinetta Jade, Pescado Rabioso, Manal e Los Minimals. O filme sugere que na verdade não há ócio, já que ao mesmo tempo que nada parece estar acontecendo externamente na vida do desempregado Andrés, na mente do protagonista há uma atividade mental efervescente fazendo conexões, tentando estabelecer relacionamentos, dar um rumo e uma perspectiva para sua vida e tentando assimilar a dor de uma perda recente.
(Reserva Cultural 1)
Com os Punhos Cerrados (Mostra 2014)
(Brasil, 2014)
Direção: LUIZ PRETTI, PEDRO DIOGENES, RICARDO PRETTI
Elenco: LUIZ PRETTI, PEDRO DIOGENES, RICARDO PRETTI, SAMYA DE LAVOR, RODRIGO CAPISTRANO, UIRÁ DOS REIS
Sinopse: Eugenio, Joaquim e João colocam suas vozes para gritar pela liberdade enquanto planejam a revolução através de uma rádio clandestina. Eles invadem as transmissões das rádios tradicionais de Fortaleza com poesias, músicas, citações, arquivos de som e provocações. Certa noite, eles são vistos disfarçados pelas ruas da cidade, em ações que atacam a sociedade burguesa e capitalista. Franco, empresário influente e magnata do forró, decide destruir a rádio a qualquer custo. Quando o perigo começa a rondar, surge Salomé, uma ouvinte bela e misteriosa que quer se unir a eles na revolução. A chegada dela pode transformar o destino deles.
Em 2004 Giorgio se casaria com a designer de jóias Irene, mas o casamento não dura muito.
Em 2005 Sara tem a primeira chance real de sobressair-se na carreira de atriz em Milão, mas precisa saber o que fazer com a filha Elena, que está prestes a ser crismada em Bobbio. É o ano que a família se reúne para assinar os papéis da ampliação do túmulo da família e assiste á ópera "Il Trovatore".
Irmãs Jamais (Sorelle Mai) é um filme italiano de Marco Bellocchio que mistura ficção e reality show, já que levou dez anos para ser filmado e as mudanças físicas dos personagens são efeitos efetivos do passar do tempo.
Filmado em família e em ambientes familiares ao autor, é um exercício de linguagem interessantíssimo, apesar de ser também um exercício de risco cinematográfico, ao inserir elementos que não têm relação com os episódios anteriores na expectativa de que venham a ser utilizados posteriormente, como o Conselho de Classe de 2007 que introduz a inquilina professora de latim e grego numa passagem cheia de bom humor e que no entanto soa fora do contexto geral do filme.
(Cine Livraria Cultura 1)
Ócio (Mostra 2011)
Inverno em Buenos Aires nos anos 80. Andrés tem 24 anos e sente a morte recente da mãe. Sua vida ingressa em uma zona nebulosa: não tem trabalho, não estuda e não consegue comunicar-se com o irmão "Dragón" e com o pai animador de festas infantis, que completam sua família apática. Atordoado com a situação, Andrés tenta caminhar de alguma forma. Sem dinheiro, entre discos que rodam na sua vitrola, livros de Albert Camus, posters do seu time de coração, o Lorenzo de Almagro, cigarros e alguns poucos amigos também "ociosos" (Roli e Picasso), Andrés vai tateando, hesitante, para conseguir um emprego, enrola-se com vendedores de motos e tenta estabelecer um contato real com sua família e com o mundo exterior.
O filme argentino Ócio, de Alejandro Lingenti e Juan Villegas, com diálogos quase sempre monossílábicos, é pontuado por uma trilha sonora feita por músicas e riffs de guitarra do rock argentino dos anos 80, de bandas como Spinetta Jade, Pescado Rabioso, Manal e Los Minimals. O filme sugere que na verdade não há ócio, já que ao mesmo tempo que nada parece estar acontecendo externamente na vida do desempregado Andrés, na mente do protagonista há uma atividade mental efervescente fazendo conexões, tentando estabelecer relacionamentos, dar um rumo e uma perspectiva para sua vida e tentando assimilar a dor de uma perda recente.
(Reserva Cultural 1)
Com os Punhos Cerrados (Mostra 2014)
(Brasil, 2014)
Direção: LUIZ PRETTI, PEDRO DIOGENES, RICARDO PRETTI
Elenco: LUIZ PRETTI, PEDRO DIOGENES, RICARDO PRETTI, SAMYA DE LAVOR, RODRIGO CAPISTRANO, UIRÁ DOS REIS
Sinopse: Eugenio, Joaquim e João colocam suas vozes para gritar pela liberdade enquanto planejam a revolução através de uma rádio clandestina. Eles invadem as transmissões das rádios tradicionais de Fortaleza com poesias, músicas, citações, arquivos de som e provocações. Certa noite, eles são vistos disfarçados pelas ruas da cidade, em ações que atacam a sociedade burguesa e capitalista. Franco, empresário influente e magnata do forró, decide destruir a rádio a qualquer custo. Quando o perigo começa a rondar, surge Salomé, uma ouvinte bela e misteriosa que quer se unir a eles na revolução. A chegada dela pode transformar o destino deles.
El Invierno de Los raros (Mostra 2012)
(Argentina, 2012)
Direção: Rodrigo Guerrero
Elenco: Lautaro Delgado, Paula Lussi, Luis Machín
Sinopse: No frio e úmido inverno do interior argentino, longe do caos da vida moderna, seis pessoas seguem a rotina, fazendo o que elas geralmente fazem. Tudo muda quando cada um deles passa por uma crise existencial.
Sonata Silenciosa (Mostra 2012)
(Circus fantasticus, Eslovênia/ Irlanda/ Finlândia/ Suécia, 2010)
Direção: Janez Burger
Elenco: Leon Lucev, Ravil Sultanov, Pauliina Räsänen
Sinopse: Neste filme sem diálogos, um homem mora sozinho com seus filhos em uma casa aos pedaços no meio de um campo desolado. Sua esposa acaba de ser morta por uma granada durante uma batalha militar. Ele está à espera de um novo bombardeio.
Uma caravana errante chamada Circus Fantasticus se estabelece próxima a sua casa. É possível que algo belo aconteça num cenário de guerra e morte? A vida pode continuar? É possível poesia e lirismo num cenário de morte?
Direção: Rodrigo Guerrero
Elenco: Lautaro Delgado, Paula Lussi, Luis Machín
Sinopse: No frio e úmido inverno do interior argentino, longe do caos da vida moderna, seis pessoas seguem a rotina, fazendo o que elas geralmente fazem. Tudo muda quando cada um deles passa por uma crise existencial.
Sonata Silenciosa (Mostra 2012)
(Circus fantasticus, Eslovênia/ Irlanda/ Finlândia/ Suécia, 2010)
Direção: Janez Burger
Elenco: Leon Lucev, Ravil Sultanov, Pauliina Räsänen
Sinopse: Neste filme sem diálogos, um homem mora sozinho com seus filhos em uma casa aos pedaços no meio de um campo desolado. Sua esposa acaba de ser morta por uma granada durante uma batalha militar. Ele está à espera de um novo bombardeio.
Uma caravana errante chamada Circus Fantasticus se estabelece próxima a sua casa. É possível que algo belo aconteça num cenário de guerra e morte? A vida pode continuar? É possível poesia e lirismo num cenário de morte?
Bullhead (Mostra 2011)
Em Limburgo, na Bélgica, um esquema de uso de hormônios para engorda de gado bovino envolve toda uma cadeia produtiva. A polícia investiga o caso com um agente infiltrado e os dias da máfia estão contados.
Mas o assassinato de um policial federal possivelmente envolvido no esquema e um fato traumático ocorrido 20 anos atrás com o jovem pecuarista Jacky Vanmarsenille coloca em movimento uma cadeia de acontecimentos imprevistos, com consequências trágicas.
"Bullhead", de Michael R. Roskam, foi o filme escolhido pela Bélgica para a seleção dos filmes que concorrerão ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2012.
Intrincada trama policial costurada com um viés psico-dramático relacionado a um flashback revelador, Bullhead resulta num filme irregular, que não aprofunda devidamente nenhum de seus temas mais relevantes.
(Cinesesc)
Mas o assassinato de um policial federal possivelmente envolvido no esquema e um fato traumático ocorrido 20 anos atrás com o jovem pecuarista Jacky Vanmarsenille coloca em movimento uma cadeia de acontecimentos imprevistos, com consequências trágicas.
"Bullhead", de Michael R. Roskam, foi o filme escolhido pela Bélgica para a seleção dos filmes que concorrerão ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2012.
Intrincada trama policial costurada com um viés psico-dramático relacionado a um flashback revelador, Bullhead resulta num filme irregular, que não aprofunda devidamente nenhum de seus temas mais relevantes.
(Cinesesc)
Parada em Pleno Curso (Mostra 2011)
Os exames eram para detectar as causas de uma insistente dor cabeça, mas o diagnóstico do doutor Tragger foi taxativo: o operário Frank está com um tumor maligno no cérebro, numa região inoperável porque é onde se localizam importantes funções neurológicas.
A expectativa de vida de Frank, casado com Simone e pai de uma jovem de 14 anos e de um garoto de 8, pode ser estimada em alguns meses.
Dia após dia, uma pequena despedida. As palavras ficam cada vez mais raras, a impaciência e a explosão indicam a evolução da doença, bem como os lapsos de memória, a sonolência e enfim, o silêncio.
"Parada em Pleno Curso" (Halt Auf Freier Strecke) é uma produção teuto-francesa dirigida por Andreas Dresen que mostra de modo quase documental o impacto de uma doença degenerativa num indivíduo e, por consequência, na rotina de sua família. Sem fazer concessões dramáticas que aliviem o sofrimento e o desconforto dos personagens (e do espectador) o fiilme cumpre seu papel de apresentar a situação com um olhar profundamente humano. A Frank, o paciente, não é atribuída a dimensão de "homem corajoso por enfrentar a doença com perseverança sobrecomum" ou "homem resignado que aceita o destino que lhe coube"; ele é simplesmente um ser humano cheio de angústias e ansiedades que se vê definhando até a inevitável morte.
(Cinesesc)
PROMETO UM DIA DEIXAR ESSA CIDADE
(Brasil, 2014)
Direção: DANIEL ARAGÃO
Elenco: BIANCA JOY PORTE, ZÉCARLOS MACHADO E SÉRGIO MARONE
Sinopse: Joli retorna para casa após passar um longo período numa clínica de reabilitação. Seu pai, Antônio, um famoso político da cidade, está bastante preocupado com sua conduta e reinserção na sociedade. Este é o momento no qual pai e filha tentam reatar os laços partidos da relação.
A expectativa de vida de Frank, casado com Simone e pai de uma jovem de 14 anos e de um garoto de 8, pode ser estimada em alguns meses.
Dia após dia, uma pequena despedida. As palavras ficam cada vez mais raras, a impaciência e a explosão indicam a evolução da doença, bem como os lapsos de memória, a sonolência e enfim, o silêncio.
"Parada em Pleno Curso" (Halt Auf Freier Strecke) é uma produção teuto-francesa dirigida por Andreas Dresen que mostra de modo quase documental o impacto de uma doença degenerativa num indivíduo e, por consequência, na rotina de sua família. Sem fazer concessões dramáticas que aliviem o sofrimento e o desconforto dos personagens (e do espectador) o fiilme cumpre seu papel de apresentar a situação com um olhar profundamente humano. A Frank, o paciente, não é atribuída a dimensão de "homem corajoso por enfrentar a doença com perseverança sobrecomum" ou "homem resignado que aceita o destino que lhe coube"; ele é simplesmente um ser humano cheio de angústias e ansiedades que se vê definhando até a inevitável morte.
(Cinesesc)
PROMETO UM DIA DEIXAR ESSA CIDADE
(Brasil, 2014)
Direção: DANIEL ARAGÃO
Elenco: BIANCA JOY PORTE, ZÉCARLOS MACHADO E SÉRGIO MARONE
Sinopse: Joli retorna para casa após passar um longo período numa clínica de reabilitação. Seu pai, Antônio, um famoso político da cidade, está bastante preocupado com sua conduta e reinserção na sociedade. Este é o momento no qual pai e filha tentam reatar os laços partidos da relação.
Saturday, July 04, 2015
Fim de Semana a Beira-Mar (Mostra 2011)
O fim de semana finalmente chegou e todos se dirigem para o litoral. Dois aposentados num carro compacto em baixa velocidade, donos um chalé do tamanho de uma caixa de sapato, cruzam com um casal de punks de boutique apaixonadas vivendo numa casa desenhada na areia. Dois trambiqueiros jogam golfe num campo cheio de buracos de coelhos próximos a uma procissão funerária, enquanto um representante de guarda-chuvas é deixado algemado à cama do quarto de hotel por sua amante, e a vida de dois casais infelizes vira de cabeça pra baixo por causa de uma pipa perdida. Encontros bizarros e engraçados acontecem durante o fim de semana na praia.
Fim de Semana a Beira-Mar (Ni a Vendre Ni a Louer), filme francês de Pascal Rabaté, é uma comédia de situações cheia de personagens caricatos que se cruzam em torno de um balneário à beira-mar.
Construído sem diálogos, o filme se comunica pelo uso de clichês manjados do cinema e resulta numa opção simpática mas pouco consistente. Destaque para a presença no elenco da portuguesa Marie de Medeiros.
(Cinesesc)
Tenho 11 Anos
(I Am Eleven, Austrália, Marrocos, Bulgária, Holanda, Reino Unido, Estados Unidos, Suécia, China, Índia, República Tcheca, França, Tailândia, Japão, Alemanha , 2011)
Direção: Genevieve Bailey
Sinopse: O documentário se concentra em uma série de crianças de 11 anos em 15 países, fazendo um retrato global da humanidade numa idade crucial – pequenos cidadãos que não são mais crianças, ainda não são adultos e se preparam para herdar um mundo que muda rapidamente como eles. As crianças revelam obsessões e preocupações públicas que motivam suas vidas. O filme faz ao mesmo tempo uma investigação das similaridades e distinções entre culturas e um relato íntimo desses jovens.
Fim de Semana a Beira-Mar (Ni a Vendre Ni a Louer), filme francês de Pascal Rabaté, é uma comédia de situações cheia de personagens caricatos que se cruzam em torno de um balneário à beira-mar.
Construído sem diálogos, o filme se comunica pelo uso de clichês manjados do cinema e resulta numa opção simpática mas pouco consistente. Destaque para a presença no elenco da portuguesa Marie de Medeiros.
(Cinesesc)
Tenho 11 Anos
(I Am Eleven, Austrália, Marrocos, Bulgária, Holanda, Reino Unido, Estados Unidos, Suécia, China, Índia, República Tcheca, França, Tailândia, Japão, Alemanha , 2011)
Direção: Genevieve Bailey
Sinopse: O documentário se concentra em uma série de crianças de 11 anos em 15 países, fazendo um retrato global da humanidade numa idade crucial – pequenos cidadãos que não são mais crianças, ainda não são adultos e se preparam para herdar um mundo que muda rapidamente como eles. As crianças revelam obsessões e preocupações públicas que motivam suas vidas. O filme faz ao mesmo tempo uma investigação das similaridades e distinções entre culturas e um relato íntimo desses jovens.
Tuesday, June 09, 2015
Regression
(Espanha/ Canadá, 2014)
Direção: Alejandro Amenábar
Elenco: Ethan Hawke, Emma Watson, Devon Bostick
Sinopse: Homem (Ethan Hawke) é condenado por abusar sexualmente da própria filha (Emma Watson), mas não tem qualquer lembrança do crime. Auxiliado por psicólogos, ele começa a desconfiar da existência de uma conspiração nacional.
Direção: Alejandro Amenábar
Elenco: Ethan Hawke, Emma Watson, Devon Bostick
Sinopse: Homem (Ethan Hawke) é condenado por abusar sexualmente da própria filha (Emma Watson), mas não tem qualquer lembrança do crime. Auxiliado por psicólogos, ele começa a desconfiar da existência de uma conspiração nacional.
Speed - Em Busca do Tempo Perdido
(Speed - Auf der Suche nach der verlorenen Zeit, Alemanha, 2012)
Direção: Florian Opitz
Sinopse: Vivemos diante de um paradoxo. Nunca antes na história trabalhamos de modo tão eficiente. Nunca antes na história economizamos tanto tempo através da tecnologia. Por outro lado, a maioria de nós sente a crescente pressão do tempo. Parece que a mesma tecnologia inventada para tornar nossa vida melhor e mais fácil está nos escravizando. Por que isso acontece?
O documentário procura respostas primeiro com o "guru" dos Gerenciadores de Tempo, uma nova modalidade de literatura de auto-ajuda, o professor e doutor Lothar Seiwert, autor de beste sellers como "A Estratégia dos Ursos" e "Como Chegar Depressa, Indo Devagar".
Depois, visitamos um psicoterapeuta para falar sobre a Síndrome de Burnout um distúrbio psíquico de caráter depressivo, precedido de esgotamento físico e mental intenso, definido por Herbert J. Freudenberger como " um estado de esgotamento físico e mental cuja causa está intimamente ligada à vida profissional".
Em seguida o documentarista entrevista o empresário Alex Ruhle, que impôs-se ao desafio de ficar dias sem celular e sem acesso à Internet, uma família que mudou-se para o campo e que vive de fabricar queijos, um empresário que isolou-se na Patagônia e a vida em Butão, onde conceituou-se a "Felicidade Nacional Bruta".
Conclusões? Num mundo e num assunto cheio de contradições, Cada um vai ter que buscar seu próprio caminho para usar da melhor maneira o tempo que dispõe para encontrar a sua própria felicidade.
O Cuco e o Burro (Mostra 2014)
(DER KUCKUCK UND DER ESEL, Alemanha, 2014)
Direção: ANDREAS ARNSTEDT
Elenco: JOOST SIEDHOFF, THILO PROTHMANN, JAN H. STAHLBERG
Sinopse: Após a morte de sua mãe, Conrad Weitzmann resolve fazer um filme sobre a relação de seus pais. Ele escreve um roteiro e entra em contato com uma emissora de TV, onde conhece Stuckradt Halmer, um produtor que demonstra entusiasmo com o projeto. Mas, depois de cinco anos de trocas de e-mails, novas versões do roteiro e inúmeras alterações a pedido da emissora - em que resta muito pouco da história original - Conrad finalmente percebe que o filme nunca será feito. Junto com seu pai, ele decide então sequestrar Halmer.
Direção: Florian Opitz
Sinopse: Vivemos diante de um paradoxo. Nunca antes na história trabalhamos de modo tão eficiente. Nunca antes na história economizamos tanto tempo através da tecnologia. Por outro lado, a maioria de nós sente a crescente pressão do tempo. Parece que a mesma tecnologia inventada para tornar nossa vida melhor e mais fácil está nos escravizando. Por que isso acontece?
O documentário procura respostas primeiro com o "guru" dos Gerenciadores de Tempo, uma nova modalidade de literatura de auto-ajuda, o professor e doutor Lothar Seiwert, autor de beste sellers como "A Estratégia dos Ursos" e "Como Chegar Depressa, Indo Devagar".
Depois, visitamos um psicoterapeuta para falar sobre a Síndrome de Burnout um distúrbio psíquico de caráter depressivo, precedido de esgotamento físico e mental intenso, definido por Herbert J. Freudenberger como " um estado de esgotamento físico e mental cuja causa está intimamente ligada à vida profissional".
Em seguida o documentarista entrevista o empresário Alex Ruhle, que impôs-se ao desafio de ficar dias sem celular e sem acesso à Internet, uma família que mudou-se para o campo e que vive de fabricar queijos, um empresário que isolou-se na Patagônia e a vida em Butão, onde conceituou-se a "Felicidade Nacional Bruta".
Conclusões? Num mundo e num assunto cheio de contradições, Cada um vai ter que buscar seu próprio caminho para usar da melhor maneira o tempo que dispõe para encontrar a sua própria felicidade.
O Cuco e o Burro (Mostra 2014)
(DER KUCKUCK UND DER ESEL, Alemanha, 2014)
Direção: ANDREAS ARNSTEDT
Elenco: JOOST SIEDHOFF, THILO PROTHMANN, JAN H. STAHLBERG
Sinopse: Após a morte de sua mãe, Conrad Weitzmann resolve fazer um filme sobre a relação de seus pais. Ele escreve um roteiro e entra em contato com uma emissora de TV, onde conhece Stuckradt Halmer, um produtor que demonstra entusiasmo com o projeto. Mas, depois de cinco anos de trocas de e-mails, novas versões do roteiro e inúmeras alterações a pedido da emissora - em que resta muito pouco da história original - Conrad finalmente percebe que o filme nunca será feito. Junto com seu pai, ele decide então sequestrar Halmer.
Saturday, May 30, 2015
MAD MAX: ESTRADA DA FÚRIA
MARCELO HESSEL, do site Omelete:
Longe de ambicionar uma cronologia ou um estudo de personagem - embora tenhamos acompanhado um fim do mundo gradual com Mel Gibson por três filmes - os Mad Max constróem, acima de tudo, uma mitologia australiana a partir de subgêneros do faroeste. Não é diferente com Mad Max - Estrada da Fúria (Mad Max - Fury Road, 2015), a volta da franquia ao cinema depois de 30 anos.
O primeiro Mad Max, de 1979, ecoava Rastros de Ódio (1959) e outros westerns de vingança na trama do cavaleiro solitário que caçava os "índios" que dizimaram sua família. Dois anos depois, Mad Max 2 aderia ao subgênero da defesa do forte, com Gibson integrado a um grupo de colonos do futuro. Ao servir de gladiador de aluguel em Além da Cúpula do Trovão (1985), Max não se diferenciava muito dos pistoleiros como o Shane de Os Brutos Também Amam (1953), que se veem no meio de um confronto pelo controle de um oásis próspero no deserto.
Enquanto os temas que atravessam os faroestes americanos ecoam a busca de uma unidade para o país, nas suas jornadas de redenção e de construção de uma civilidade na Conquista do Oeste, porém, os filmes de Mad Max são absolutamente australianos no seu caráter de penitência. Ao criar uma mitologia que tem na estética sadomasoquista sua constante e na violência extremada o seu processo de purgação, George Miller se filia a uma tradição da literatura e do cinema australiano que se especializou em trazer para o Outback do século 20 - e para o futuro - todo o peso do passado desse país que foi concebido no século 18 como uma colônia penal do império britânico.
Na Austrália, todos são párias. Se Miller faz questão de enquadrar os quatro filmes de Mad Max no formato mais retangular do CinemaScope, para valorizar horizontes como em westerns clássicos, isso só faz de seus cenários arenas mais extensas para toda sorte de desajustados, deformados, sádicos e justiceiros. Em Estrada da Fúria, Miller organiza as gangues em estratos econômicos e sociais aparentemente mais complexos, combinando industrais e religiosos messiânicos numa harmonia possível no caos (o mundo certamente vai acabar antes do capitalismo), mas a grande magia de Mad Max é que a arena os iguala.
E dentro dela, nesta volta da franquia ao cinema, Miller não economiza na catarse. Se mesmo alguns dos seus filmes mais subestimados, como As Bruxas de Eastwick (1987), de alguma forma lidam com a purgação pelo castigo, é em Mad Max que o diretor coloca pra fora os seus demônios. Algumas cenas de perseguição de Estrada da Fúria levaram meses para filmar, depois de outros tantos meses de veículos sendo construídos nos sets na Austrália e na Namíbia, e essa obsessão se traduz gloriosamente na tela. O verdadeiro culto pagão de Mad Max, a fé nos automóveis (cujo simbolismo beira o óbvio em Estrada da Fúria, com o volante transformado em totem), chega ao espectador num misto de missa roqueira, exorcismo e bacanal.
Nem todos os veículos, porém, são pensados como extensões da iconografia sadomasoquista e feitos para penetrar uns aos outros em incontáveis colisões. Porque o subgênero de western eleito por Miller em Estrada da Fúria é o da travessia do comboio, e desde sempre as diligências trazem consigo uma noção de feminilidade. Quantos faroestes já não mostraram no passado carroças que transportam mulheres grávidas, entre famílias que são protegidas pelos homens solitários a cavalo? A diligência é a esperança em marcha, sintetizada na fertilidade da mulher, e dela irradia o senso de proteção da civilidade que marca esses faroestes. A ideia antropomórfica de o caminhão-pipa de Mad Max "dar leite" na sua torneira é a expressão máxima dessa representação.
Sob essa ótica, parece não só justo mas necessário que George Miller escolha uma mulher, Imperatriz Furiosa (Charlize Theron), como "mãe", dona do caminhão-pipa. No futuro será muito interessante formar sessões duplas entre Mad Max - Estrada da Fúria e faroestes de comboio que também efetivam um ponto de vista feminino, como o recente Dívida de Honra (2014), com Hilary Swank, e principalmente Meek's Cutoff (2010), a obra-prima de Kelly Reichardt estrelada por Michelle Williams. De resto, desconfie de quem acha que "falta roteiro" neste Mad Max; westerns de comboio são exatamente assim, enxutos e pautados pela ação, pelo menos desde 1939, ano de No Tempo das Diligências.
Mas que papel cabe ao Max de Tom Hardy nessa história, diminuído não só por Furiosa mas também pelo arco dramático de Nicholas Hoult? Não bastasse a responsabilidade de substituir o ator titular - e nessa hora fica muito latente como o carisma de Gibson sempre foi o motor do personagem - o Max de Estrada da Fúria ainda precisa lidar com o ocaso da sua masculinidade. No passado, John Wayne conseguia expressar muito bem a fragilidade de homens violentos que se percebiam deslocados num mundo em transformação. Com seu jeito de ator do método que nunca soube ouvir aquele famoso conselho de diretores impacientes ("apenas atue"), Hardy segue a receita desse tipo de papel monossilábico e introspectivo, mas ele não é Mel Gibson - nem John Wayne.
É curioso que, em entrevistas, George Miller associe Max a James Bond, para justificar a troca de atores. Seriam dois casos de personagens que, em nome de uma longevidade, sempre permanecem alheios ao mundo ao seu redor, capazes de sobreviver à base das suas manias, orbitando a ação, sem se afetar pelo contexto. Pois Estrada da Fúria - um filme cujo nervo não está na ação e sim numa mudança de paradigmas - atesta justamente a obsolescência do "caubói". Aquela comparação com Meek's Cutoff vem a calhar aqui porque é um filme muito forte sobre empoderamento feminino e transmissão de responsabilidade, e que torna evidente a incapacidade que George Miller tem de descartar seu mocinho sem de fato se despedir dele.
Longe de ambicionar uma cronologia ou um estudo de personagem - embora tenhamos acompanhado um fim do mundo gradual com Mel Gibson por três filmes - os Mad Max constróem, acima de tudo, uma mitologia australiana a partir de subgêneros do faroeste. Não é diferente com Mad Max - Estrada da Fúria (Mad Max - Fury Road, 2015), a volta da franquia ao cinema depois de 30 anos.
O primeiro Mad Max, de 1979, ecoava Rastros de Ódio (1959) e outros westerns de vingança na trama do cavaleiro solitário que caçava os "índios" que dizimaram sua família. Dois anos depois, Mad Max 2 aderia ao subgênero da defesa do forte, com Gibson integrado a um grupo de colonos do futuro. Ao servir de gladiador de aluguel em Além da Cúpula do Trovão (1985), Max não se diferenciava muito dos pistoleiros como o Shane de Os Brutos Também Amam (1953), que se veem no meio de um confronto pelo controle de um oásis próspero no deserto.
Enquanto os temas que atravessam os faroestes americanos ecoam a busca de uma unidade para o país, nas suas jornadas de redenção e de construção de uma civilidade na Conquista do Oeste, porém, os filmes de Mad Max são absolutamente australianos no seu caráter de penitência. Ao criar uma mitologia que tem na estética sadomasoquista sua constante e na violência extremada o seu processo de purgação, George Miller se filia a uma tradição da literatura e do cinema australiano que se especializou em trazer para o Outback do século 20 - e para o futuro - todo o peso do passado desse país que foi concebido no século 18 como uma colônia penal do império britânico.
Na Austrália, todos são párias. Se Miller faz questão de enquadrar os quatro filmes de Mad Max no formato mais retangular do CinemaScope, para valorizar horizontes como em westerns clássicos, isso só faz de seus cenários arenas mais extensas para toda sorte de desajustados, deformados, sádicos e justiceiros. Em Estrada da Fúria, Miller organiza as gangues em estratos econômicos e sociais aparentemente mais complexos, combinando industrais e religiosos messiânicos numa harmonia possível no caos (o mundo certamente vai acabar antes do capitalismo), mas a grande magia de Mad Max é que a arena os iguala.
E dentro dela, nesta volta da franquia ao cinema, Miller não economiza na catarse. Se mesmo alguns dos seus filmes mais subestimados, como As Bruxas de Eastwick (1987), de alguma forma lidam com a purgação pelo castigo, é em Mad Max que o diretor coloca pra fora os seus demônios. Algumas cenas de perseguição de Estrada da Fúria levaram meses para filmar, depois de outros tantos meses de veículos sendo construídos nos sets na Austrália e na Namíbia, e essa obsessão se traduz gloriosamente na tela. O verdadeiro culto pagão de Mad Max, a fé nos automóveis (cujo simbolismo beira o óbvio em Estrada da Fúria, com o volante transformado em totem), chega ao espectador num misto de missa roqueira, exorcismo e bacanal.
Nem todos os veículos, porém, são pensados como extensões da iconografia sadomasoquista e feitos para penetrar uns aos outros em incontáveis colisões. Porque o subgênero de western eleito por Miller em Estrada da Fúria é o da travessia do comboio, e desde sempre as diligências trazem consigo uma noção de feminilidade. Quantos faroestes já não mostraram no passado carroças que transportam mulheres grávidas, entre famílias que são protegidas pelos homens solitários a cavalo? A diligência é a esperança em marcha, sintetizada na fertilidade da mulher, e dela irradia o senso de proteção da civilidade que marca esses faroestes. A ideia antropomórfica de o caminhão-pipa de Mad Max "dar leite" na sua torneira é a expressão máxima dessa representação.
Sob essa ótica, parece não só justo mas necessário que George Miller escolha uma mulher, Imperatriz Furiosa (Charlize Theron), como "mãe", dona do caminhão-pipa. No futuro será muito interessante formar sessões duplas entre Mad Max - Estrada da Fúria e faroestes de comboio que também efetivam um ponto de vista feminino, como o recente Dívida de Honra (2014), com Hilary Swank, e principalmente Meek's Cutoff (2010), a obra-prima de Kelly Reichardt estrelada por Michelle Williams. De resto, desconfie de quem acha que "falta roteiro" neste Mad Max; westerns de comboio são exatamente assim, enxutos e pautados pela ação, pelo menos desde 1939, ano de No Tempo das Diligências.
Mas que papel cabe ao Max de Tom Hardy nessa história, diminuído não só por Furiosa mas também pelo arco dramático de Nicholas Hoult? Não bastasse a responsabilidade de substituir o ator titular - e nessa hora fica muito latente como o carisma de Gibson sempre foi o motor do personagem - o Max de Estrada da Fúria ainda precisa lidar com o ocaso da sua masculinidade. No passado, John Wayne conseguia expressar muito bem a fragilidade de homens violentos que se percebiam deslocados num mundo em transformação. Com seu jeito de ator do método que nunca soube ouvir aquele famoso conselho de diretores impacientes ("apenas atue"), Hardy segue a receita desse tipo de papel monossilábico e introspectivo, mas ele não é Mel Gibson - nem John Wayne.
É curioso que, em entrevistas, George Miller associe Max a James Bond, para justificar a troca de atores. Seriam dois casos de personagens que, em nome de uma longevidade, sempre permanecem alheios ao mundo ao seu redor, capazes de sobreviver à base das suas manias, orbitando a ação, sem se afetar pelo contexto. Pois Estrada da Fúria - um filme cujo nervo não está na ação e sim numa mudança de paradigmas - atesta justamente a obsolescência do "caubói". Aquela comparação com Meek's Cutoff vem a calhar aqui porque é um filme muito forte sobre empoderamento feminino e transmissão de responsabilidade, e que torna evidente a incapacidade que George Miller tem de descartar seu mocinho sem de fato se despedir dele.
Tuesday, May 26, 2015
Thursday, May 14, 2015
Metanoia
(Brasil, 2013)
Direção: Miguel Nagle
Elenco: Caique Oliveira, Caio Blat, Lucas Hornos
Sinopse: Eduardo (Caique Oliveira) é mais um em meio aos milhares de usuários regulares e dependentes do crack. Criado na periferia de São Paulo, a boa educação oferecida por sua mãe, Solange, não o impediu de ficar preso no mundo das drogas. Ele fica perdido em meio à autodestruição, enquanto Solange tenta desesperadamente salvar o filho do vício.
Direção: Miguel Nagle
Elenco: Caique Oliveira, Caio Blat, Lucas Hornos
Sinopse: Eduardo (Caique Oliveira) é mais um em meio aos milhares de usuários regulares e dependentes do crack. Criado na periferia de São Paulo, a boa educação oferecida por sua mãe, Solange, não o impediu de ficar preso no mundo das drogas. Ele fica perdido em meio à autodestruição, enquanto Solange tenta desesperadamente salvar o filho do vício.
O desejo da minha alma
(Hitono nozomino yorokobiyo, Japão, 2014)
Direção: Masakazu Sugita
Elenco: Ayane Omori, Ruku Oishi, Naoko Oshimoto, Koichiro Nishi, Shumpei Ohba
Sinopse: Haruna, 12 anos, e Shota, 5, ficaram órfãos depois de um terremoto. O destino das crianças é discutido na família, causando constrangimento. Finalmente, os dois são adotados pela tia materna, que tem um filho. O garoto ressente-se da atenção dada pelos pais aos dois. Haruna, no entanto, sofre mais ainda porque não pode nem mesmo contar ao irmão que os pais morreram.
Direção: Masakazu Sugita
Elenco: Ayane Omori, Ruku Oishi, Naoko Oshimoto, Koichiro Nishi, Shumpei Ohba
Sinopse: Haruna, 12 anos, e Shota, 5, ficaram órfãos depois de um terremoto. O destino das crianças é discutido na família, causando constrangimento. Finalmente, os dois são adotados pela tia materna, que tem um filho. O garoto ressente-se da atenção dada pelos pais aos dois. Haruna, no entanto, sofre mais ainda porque não pode nem mesmo contar ao irmão que os pais morreram.
Um pombo pousou num galho refletindo sobre a existência
(En duva pa en gren och funderade pa tilvaren, Suécia / Noruega / França / Alemanha, 2014)
Direção: Roy Andersson
Elenco: Holger Andersson, Nils Westblom, Charlotta Larsson
Sinopse: Sam e Jonathan, cansados de sua vida, decidem começar a vender objetos mais originais, como sacos de risada e dentes plásticos de vampiros. Uma professora de flamenco vê-se apaixonada pelo aluno mais jovem. Um militar tenta comparecer a palestras, mas sempre erra suas datas. Os filhos de uma velha agonizante tentam apoderar-se da bolsa em que ela guarda seus valores, mas ela reage de modo surpreendente. Vários esquetes refletem as contradições e ironias da vida e da História humanas.
Direção: Roy Andersson
Elenco: Holger Andersson, Nils Westblom, Charlotta Larsson
Sinopse: Sam e Jonathan, cansados de sua vida, decidem começar a vender objetos mais originais, como sacos de risada e dentes plásticos de vampiros. Uma professora de flamenco vê-se apaixonada pelo aluno mais jovem. Um militar tenta comparecer a palestras, mas sempre erra suas datas. Os filhos de uma velha agonizante tentam apoderar-se da bolsa em que ela guarda seus valores, mas ela reage de modo surpreendente. Vários esquetes refletem as contradições e ironias da vida e da História humanas.
A GANGUE
(Plemya / The Tribe, Ucrânia, 2014)
Direção: Miroslav Slaboshpitsky
Elenco: Grigoriy Fesenko, Yana Novikova, Rosa Babiy, Alexander Dsiadevich, Yaroslav Biletskiy Sinopse: Em A Gangue (The Tribe), um rapaz chamado Sergey entra numa escola especializada para surdos-mudos e logo descobre que, se não se enturmar com os mais fortes, será alvo de bullying como em qualquer outra escola. Se a história ficasse por aí, tudo bem. Mas esses colegas fazem parte de uma rede de crimes e prostituição – a "Tribo" do título. Toda noite, o chefe da gangue leva sua namorada Anna e outra amiga para se prostituírem para caminhoneiros num pátio. O problema é que Sergey se apaixona por Anna e tenta tirá-la a todo custo da gangue, despertando a fúria dos colegas, e aí começa uma espiral de violência.
Bastidores: Um filme rodado em linguagem de sinais e sem narração ou legendas, já que o amor e o ódio não precisam de tradução.
Vencedor do Grande Prêmio da Semana da Crítica no Festival de Cannes.
Direção: Miroslav Slaboshpitsky
Elenco: Grigoriy Fesenko, Yana Novikova, Rosa Babiy, Alexander Dsiadevich, Yaroslav Biletskiy Sinopse: Em A Gangue (The Tribe), um rapaz chamado Sergey entra numa escola especializada para surdos-mudos e logo descobre que, se não se enturmar com os mais fortes, será alvo de bullying como em qualquer outra escola. Se a história ficasse por aí, tudo bem. Mas esses colegas fazem parte de uma rede de crimes e prostituição – a "Tribo" do título. Toda noite, o chefe da gangue leva sua namorada Anna e outra amiga para se prostituírem para caminhoneiros num pátio. O problema é que Sergey se apaixona por Anna e tenta tirá-la a todo custo da gangue, despertando a fúria dos colegas, e aí começa uma espiral de violência.
Bastidores: Um filme rodado em linguagem de sinais e sem narração ou legendas, já que o amor e o ódio não precisam de tradução.
Vencedor do Grande Prêmio da Semana da Crítica no Festival de Cannes.
Wednesday, May 13, 2015
Monday, May 04, 2015
Monday, April 27, 2015
A falsa crise dos vingadores
Por Cesar Castanha, do site Cineplayers: 7/10
A razão de ser da Marvel Studios encantou muitos fãs dos seus quadrinhos lá em 2008, inclusive eu: criar, pela primeira vez, uma interdependência entre os super-heróis no cinema, fazendo-os funcionar, idealmente, a partir da mesma lógica do material de onde surgiram. Onze filmes depois, muito do fascínio já se perdeu, as cenas pós-créditos inspiram cada vez menos furor e entusiasmo, Os Vingadores, a grande ambição da década de HQs na telona, já está no seu segundo filme. É difícil encontrar uma abordagem nova, explorar aquele aspecto de novidade que fez explodir os Batmans de Christopher Nolan e o próprio Homem de Ferro. No fim, parece que a Marvel sucumbe à crítica que a acusa de fazer sempre o mesmo filme.
Devo dizer que esse comentário, cada vez mais presente, incomoda-me bastante. Sim, a Marvel tem repetido a mesma fórmula e feito bastante dinheiro com variadas versões dela. Mas como isso seria diferente de Hollywood desde que Hollywood existe? É importante reconhecer que a lógica quase fordista como se produzem filmes na cidade dos sonhos não é exclusividade do gênero de super-herói ou comédias-românticas ou filmes de ação, que a mesmíssima questão passou pelo film-noir e os primeiros talkies.
Ainda assim, acho que os filmes do estúdio sofrem de um problema constante, que se acentua quanto mais eu mergulho nos quadrinhos do mesmo universo (e vamos culpar a Coleção Oficial de Graphic Novels Marvel, da Salvat, por isso). Eles estão simplesmente atrasados, e não falo em questão básica de narrativa, mas de como abordam o dilema de ser um super-herói ou mais especificamente ser um vingador. Vingadores: A Era de Ultron tenta se aproximar das ambiguidades morais da iniciativa, mas falha miseravelmente, e pra mim ficou muito claro o porquê.
Desde, pelo menos, 2004, é muito difícil você encontrar um arco dos Vingadores nos quadrinhos que deixe bem desenhadas as fronteiras entre o certo e o errado. Nessa década, continuadas transformações da equipe denunciam que ela existe mais para a própria sobrevivência que pela sobrevivência do mundo. É perceptível até uma nostalgia pelos tempos em que Os Vingadores eram heróis inquestionáveis. A crise moral e até física (eles envelheceram, alguns até morreram ou simplesmente foram substituídos) do super-herói é tudo o que os quadrinhos contemporâneos conhecem. Para os filmes da Marvel, é difícil se engajar nisso agora, eles estão em um momento de consolidação da confiança no herói, mas mesmo a simplicidade contida nisso já não é tão facilmente aceita. O barulho feito por Nolan e o seu Cavaleiro das Trevas, do mesmo ano do primeiro Homem de Ferro, impôs ao gênero um ideal de realismo e seriedade. Esse ideal, que também questionaria a imagem do herói à moda Watchmen, não se sustenta por muito tempo nem com próprio Batman. Ainda assim, todas as continuações de super-herói feitas desde então são levadas a flertar com a crise em um ponto ou outro. Gwen Stacy não pode sobreviver ao segundo O Espetacular Homem-Aranha, a Shield deve ser desmascarada em Capitão América 2: O Solvado Invernal e Tony Stark teve que criar Ultron.
Enquanto a crise se desenrola, até o segundo ato de Vingadores: A Era de Ultron, tudo funciona muito bem. Tony Stark, por medo, cria o robô que destruirá os vingadores. “Os homens criam aquilo que temem, homens de paz criam máquinas de guerra”, explica o vilão, a inteligência virtual Ultron, de voz e pose imponentes, muito fã de Pinóquio, da Disney. O argumento que justifica Ultron é ótimo. Gosto muito de como o filme permite que se torça por ele na primeira hora, não por um fetiche em se torcer pelo vilão, mas por vislumbrar a possibilidade de ele estar mesmo certo, assim como de Tony Stark estar tragicamente errado, mas isso não dura. Muito logo, bem e mal estão perfeitamente divididos. E, como a máquina genocida foi criação de Stark e não pode machucar a humanidade de fato, pois deixaria seu criador em maus bocados, nenhum civil será ferido.
É uma solução muito limpa para um filme que brinca com o jogo de discursos ideológicos. A covardia foi abraçada pela necessidade de manter o ciclo do filme. Se vamos ter uma pancadaria no desfecho, precisamos deixar o público muito confortável em saber por qual lado ele deve torcer. A Marvel precisa se livrar disso logo. Os Vingadores: A Era de Ultron ainda consegue boas coisas até nos seus momentos finais. Visão me causou uma impressão e tanto pela naturalidade com que é esteticamente concebido (Thor ainda me parece um cosplay bem produzido na Comic-Con), e a ideia de fim que o filme carrega parece surtir alguns efeitos definitivos e uma renovação na equipe que pode ter bons resultados.
Para isso, a Marvel precisa olhar com mais atenção para a riqueza do material que tem em mãos. Não adianta mimetizar a linguagem dos quadrinhos com tiradas de humor e um colorido de personagens se não há disposição para encarar suas sutilidades, começando por diversificar os protagonistas (não lembro de uma vingadora ser tratada com o mesmo texto porco que recebe a Viúva Negra neste filme; e lembro de muitas vingadoras, uma quantidade de personagens que já deveria ter deixado a Marvel Studios constrangida por ainda ignorar quase todas). Se Vingadores: A Era de Ultron está entre os bons filmes da Marvel Studios, e acho que esteja, também deixa muito claras as suas lacunas. Ótimo.
A razão de ser da Marvel Studios encantou muitos fãs dos seus quadrinhos lá em 2008, inclusive eu: criar, pela primeira vez, uma interdependência entre os super-heróis no cinema, fazendo-os funcionar, idealmente, a partir da mesma lógica do material de onde surgiram. Onze filmes depois, muito do fascínio já se perdeu, as cenas pós-créditos inspiram cada vez menos furor e entusiasmo, Os Vingadores, a grande ambição da década de HQs na telona, já está no seu segundo filme. É difícil encontrar uma abordagem nova, explorar aquele aspecto de novidade que fez explodir os Batmans de Christopher Nolan e o próprio Homem de Ferro. No fim, parece que a Marvel sucumbe à crítica que a acusa de fazer sempre o mesmo filme.
Devo dizer que esse comentário, cada vez mais presente, incomoda-me bastante. Sim, a Marvel tem repetido a mesma fórmula e feito bastante dinheiro com variadas versões dela. Mas como isso seria diferente de Hollywood desde que Hollywood existe? É importante reconhecer que a lógica quase fordista como se produzem filmes na cidade dos sonhos não é exclusividade do gênero de super-herói ou comédias-românticas ou filmes de ação, que a mesmíssima questão passou pelo film-noir e os primeiros talkies.
Ainda assim, acho que os filmes do estúdio sofrem de um problema constante, que se acentua quanto mais eu mergulho nos quadrinhos do mesmo universo (e vamos culpar a Coleção Oficial de Graphic Novels Marvel, da Salvat, por isso). Eles estão simplesmente atrasados, e não falo em questão básica de narrativa, mas de como abordam o dilema de ser um super-herói ou mais especificamente ser um vingador. Vingadores: A Era de Ultron tenta se aproximar das ambiguidades morais da iniciativa, mas falha miseravelmente, e pra mim ficou muito claro o porquê.
Desde, pelo menos, 2004, é muito difícil você encontrar um arco dos Vingadores nos quadrinhos que deixe bem desenhadas as fronteiras entre o certo e o errado. Nessa década, continuadas transformações da equipe denunciam que ela existe mais para a própria sobrevivência que pela sobrevivência do mundo. É perceptível até uma nostalgia pelos tempos em que Os Vingadores eram heróis inquestionáveis. A crise moral e até física (eles envelheceram, alguns até morreram ou simplesmente foram substituídos) do super-herói é tudo o que os quadrinhos contemporâneos conhecem. Para os filmes da Marvel, é difícil se engajar nisso agora, eles estão em um momento de consolidação da confiança no herói, mas mesmo a simplicidade contida nisso já não é tão facilmente aceita. O barulho feito por Nolan e o seu Cavaleiro das Trevas, do mesmo ano do primeiro Homem de Ferro, impôs ao gênero um ideal de realismo e seriedade. Esse ideal, que também questionaria a imagem do herói à moda Watchmen, não se sustenta por muito tempo nem com próprio Batman. Ainda assim, todas as continuações de super-herói feitas desde então são levadas a flertar com a crise em um ponto ou outro. Gwen Stacy não pode sobreviver ao segundo O Espetacular Homem-Aranha, a Shield deve ser desmascarada em Capitão América 2: O Solvado Invernal e Tony Stark teve que criar Ultron.
Enquanto a crise se desenrola, até o segundo ato de Vingadores: A Era de Ultron, tudo funciona muito bem. Tony Stark, por medo, cria o robô que destruirá os vingadores. “Os homens criam aquilo que temem, homens de paz criam máquinas de guerra”, explica o vilão, a inteligência virtual Ultron, de voz e pose imponentes, muito fã de Pinóquio, da Disney. O argumento que justifica Ultron é ótimo. Gosto muito de como o filme permite que se torça por ele na primeira hora, não por um fetiche em se torcer pelo vilão, mas por vislumbrar a possibilidade de ele estar mesmo certo, assim como de Tony Stark estar tragicamente errado, mas isso não dura. Muito logo, bem e mal estão perfeitamente divididos. E, como a máquina genocida foi criação de Stark e não pode machucar a humanidade de fato, pois deixaria seu criador em maus bocados, nenhum civil será ferido.
É uma solução muito limpa para um filme que brinca com o jogo de discursos ideológicos. A covardia foi abraçada pela necessidade de manter o ciclo do filme. Se vamos ter uma pancadaria no desfecho, precisamos deixar o público muito confortável em saber por qual lado ele deve torcer. A Marvel precisa se livrar disso logo. Os Vingadores: A Era de Ultron ainda consegue boas coisas até nos seus momentos finais. Visão me causou uma impressão e tanto pela naturalidade com que é esteticamente concebido (Thor ainda me parece um cosplay bem produzido na Comic-Con), e a ideia de fim que o filme carrega parece surtir alguns efeitos definitivos e uma renovação na equipe que pode ter bons resultados.
Para isso, a Marvel precisa olhar com mais atenção para a riqueza do material que tem em mãos. Não adianta mimetizar a linguagem dos quadrinhos com tiradas de humor e um colorido de personagens se não há disposição para encarar suas sutilidades, começando por diversificar os protagonistas (não lembro de uma vingadora ser tratada com o mesmo texto porco que recebe a Viúva Negra neste filme; e lembro de muitas vingadoras, uma quantidade de personagens que já deveria ter deixado a Marvel Studios constrangida por ainda ignorar quase todas). Se Vingadores: A Era de Ultron está entre os bons filmes da Marvel Studios, e acho que esteja, também deixa muito claras as suas lacunas. Ótimo.
Friday, April 24, 2015
Vingadores - A Era de Ultron
Rodrigo Zavala, do site Cineweb: 3/5
Não é apenas pelo conceito, técnica ou carisma do elenco que o filme Vingadores: Era de Ultron tem sido considerado o candidato a blockbuster do ano. Ele está no meio de um bem-arquitetado mosaico de franquias bilionárias, com produtos e subprodutos, para o cinema e serviços de TV a cabo e internet, que se expandiu nos últimos anos no guarda-chuva de um pequeno pedaço do universo Marvel.
Além dos Vingadores (Thor, Homem de Ferro e Capitão América com suas sequências isoladas), na mesma gravidade orbitam Guardiões da Galáxia (2014) Homem-Formiga (estreia em junho), e as séries Agents of S.H.I.E.L.D.PAgent Carter (ambas do canal Sony), além do novíssimo Demolidor (Netflix). Todas estas produções se complementam mas não deixam de fazer sucesso por si.
Difícil, portanto, a arquitetura que coloca esta sequência de Vingadores no centro desse mundo, que mais tarde poderia até incluir os X-Men e o Homem-Aranha. Isto só não ocorreu ainda (já que existe na origem, os HQs) porque, além da Disney, os direitos sobre heróis e vilões da Marvel estão distribuídos entre os grandes estúdios, como Sony e Fox.
Nesse contexto, é fácil entender porque escolher como vilão Ultron, robô superinteligente e superpoderoso para a segunda parte. Embora sua origem tenha variações nos quadrinhos, trata-se de um inimigo interno. Explica-se: na versão de Joss Whedon, diretor e roteirista de Vingadores, ele é um androide (James Spader) criado pelo Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) e Bruce Banner/Hulk (Mark Ruffalo) como arma para a paz mundial.
Trazer um alienígena, como Thanos (que aparece ao final dos créditos deste e do primeiro filme), bagunçaria todo os demais produtos na TV, que devem correr para acompanhar o progresso dos cinemas. Ultron portanto, que se volta contra os heróis e toda a humanidade, é um mal menor, facilmente explicável na esteira de spin-offs.
Mas isso não quer dizer que este vilão seja menos perigoso. Depois de praticamente arrasar com o grupo, composto também pelo Capitão América (Chris Evans), Thor (Chris Hemsworth), Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) e Viúva Negra (Scarlett Johansson), Ultron encabeça um plano para destruir a Terra. Será nesse conflito que aparecerão o Mercúrio (Aaron Taylor-Johnson), a Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen) e o Visão (Paul Bettany), como reticentes colaboradores.
Como é caro às produções da Marvel, todos os personagens são bem-humorados, usando-se o tom de comédia para assimilar a dureza dos conflitos, a grandiosidade dos efeitos especiais e, claro, a concepção visual superpop. Tudo em excesso, aliás, nas mais de duas horas de duração. Aqui, encontra-se o que há de melhor em termos de produção para um público ávido de filmes de ação, para quem cinema é lugar de entretenimento, e só.
Não é apenas pelo conceito, técnica ou carisma do elenco que o filme Vingadores: Era de Ultron tem sido considerado o candidato a blockbuster do ano. Ele está no meio de um bem-arquitetado mosaico de franquias bilionárias, com produtos e subprodutos, para o cinema e serviços de TV a cabo e internet, que se expandiu nos últimos anos no guarda-chuva de um pequeno pedaço do universo Marvel.
Além dos Vingadores (Thor, Homem de Ferro e Capitão América com suas sequências isoladas), na mesma gravidade orbitam Guardiões da Galáxia (2014) Homem-Formiga (estreia em junho), e as séries Agents of S.H.I.E.L.D.PAgent Carter (ambas do canal Sony), além do novíssimo Demolidor (Netflix). Todas estas produções se complementam mas não deixam de fazer sucesso por si.
Difícil, portanto, a arquitetura que coloca esta sequência de Vingadores no centro desse mundo, que mais tarde poderia até incluir os X-Men e o Homem-Aranha. Isto só não ocorreu ainda (já que existe na origem, os HQs) porque, além da Disney, os direitos sobre heróis e vilões da Marvel estão distribuídos entre os grandes estúdios, como Sony e Fox.
Nesse contexto, é fácil entender porque escolher como vilão Ultron, robô superinteligente e superpoderoso para a segunda parte. Embora sua origem tenha variações nos quadrinhos, trata-se de um inimigo interno. Explica-se: na versão de Joss Whedon, diretor e roteirista de Vingadores, ele é um androide (James Spader) criado pelo Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) e Bruce Banner/Hulk (Mark Ruffalo) como arma para a paz mundial.
Trazer um alienígena, como Thanos (que aparece ao final dos créditos deste e do primeiro filme), bagunçaria todo os demais produtos na TV, que devem correr para acompanhar o progresso dos cinemas. Ultron portanto, que se volta contra os heróis e toda a humanidade, é um mal menor, facilmente explicável na esteira de spin-offs.
Mas isso não quer dizer que este vilão seja menos perigoso. Depois de praticamente arrasar com o grupo, composto também pelo Capitão América (Chris Evans), Thor (Chris Hemsworth), Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) e Viúva Negra (Scarlett Johansson), Ultron encabeça um plano para destruir a Terra. Será nesse conflito que aparecerão o Mercúrio (Aaron Taylor-Johnson), a Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen) e o Visão (Paul Bettany), como reticentes colaboradores.
Como é caro às produções da Marvel, todos os personagens são bem-humorados, usando-se o tom de comédia para assimilar a dureza dos conflitos, a grandiosidade dos efeitos especiais e, claro, a concepção visual superpop. Tudo em excesso, aliás, nas mais de duas horas de duração. Aqui, encontra-se o que há de melhor em termos de produção para um público ávido de filmes de ação, para quem cinema é lugar de entretenimento, e só.
Vingadores: A Era de Ultron
Ângelo Costa, Editor e Crítico de Cinema do Fala Cinéfilo!
Dirigido por Joss Whedon, ‘Vingadores: era de Ultron’ traz de volta o grupo de super heróis mais poderosos do universo em uma aventura que não se permite erros (cinenamograficamente falando). Ao repetir elementos já apresentados no primeiro filme, ainda que se esforce na amplificação do universo até aqui estabelecido, Whedon tenta manter o equilíbrio da narrativa, construindo uma linha tênue entre o que já existe naquele universo e o que virá na terceira fase da Marvel.
E na construção dessa linha, Whedon abre o filme meio que no automático. Cenas de ação repletas de explosões e perseguições evidenciam o mote principal do filme, acompanhado de um vilão cuja inteligência artificial se baseia em um discurso melodramático vitimista que por vezes cansa. Aqui, os heróis tem muito mais a contar do que o vilão em si. Olhos atentos aos irmãos Maximoff.
Um outro ponto negativo no filme está na negligência em relação aos eventos futuros daqueles personagens, ora, sabemos que o próximo filme de peso neste universo será ‘Capitão América: Guerra Civil’, e apesar de ‘Era de Ultron’ revelar os medos e as ansiedades dos personagens, além da sua relação e responsabilidade para com o mundo, o filme parece não querer cortar de uma vez por todas o cordão umbilical dos seus. Todas as pistas plantadas desde ‘Homem de Ferro 2‘ parecem ter sido desconsideradas neste novo filme. Mas isso de fato não é um problema, pois ainda há uma chance desse conflito se desenvolver melhor em ‘Guerra Civil’.
Apesar de ‘Vingadores: a era de Ultron’ não ser um filme que surpreenda mais que o seu antecessor, ele tem suas qualidades. O ponto máximo em ‘Era de Ultron’ está justamente no terceiro ato, mais precisamente no final. Quando numa tentativa ousada, Whedon apresenta os ‘Novos Vingadores’, juntamente com o enigmático ‘Visão’. Isso revela muito como a Marvel está pensando sobre o universo construído para os cinemas. Sinceramente esperava que os Novos Vingadores somente fossem apresentados ao longo da terceira Marvel.
Essa ampliação do universo é uma aposta arriscada, porque Whedon antecipa algo que poderia ter sido usada como elemento surpresa após Guerra infinita. Ao mesmo tempo que é uma grata surpresa pois aumenta o escopo de personagens, necessário para ‘Guerra Civil’.
Em geral, ‘Vingadores: era de Ultron’ é surpreendente. É o típico filme ‘não se mexe em time que está ganhando’. Mostra que apesar de todos os problemas, a Marvel tem se dedicado completamente na manutenção do seu universo e revelando pequenas surpresas e desdobramentos à medida em que avança. Aguardemos os próximos capítulos dessa saga.
Dirigido por Joss Whedon, ‘Vingadores: era de Ultron’ traz de volta o grupo de super heróis mais poderosos do universo em uma aventura que não se permite erros (cinenamograficamente falando). Ao repetir elementos já apresentados no primeiro filme, ainda que se esforce na amplificação do universo até aqui estabelecido, Whedon tenta manter o equilíbrio da narrativa, construindo uma linha tênue entre o que já existe naquele universo e o que virá na terceira fase da Marvel.
E na construção dessa linha, Whedon abre o filme meio que no automático. Cenas de ação repletas de explosões e perseguições evidenciam o mote principal do filme, acompanhado de um vilão cuja inteligência artificial se baseia em um discurso melodramático vitimista que por vezes cansa. Aqui, os heróis tem muito mais a contar do que o vilão em si. Olhos atentos aos irmãos Maximoff.
Um outro ponto negativo no filme está na negligência em relação aos eventos futuros daqueles personagens, ora, sabemos que o próximo filme de peso neste universo será ‘Capitão América: Guerra Civil’, e apesar de ‘Era de Ultron’ revelar os medos e as ansiedades dos personagens, além da sua relação e responsabilidade para com o mundo, o filme parece não querer cortar de uma vez por todas o cordão umbilical dos seus. Todas as pistas plantadas desde ‘Homem de Ferro 2‘ parecem ter sido desconsideradas neste novo filme. Mas isso de fato não é um problema, pois ainda há uma chance desse conflito se desenvolver melhor em ‘Guerra Civil’.
Apesar de ‘Vingadores: a era de Ultron’ não ser um filme que surpreenda mais que o seu antecessor, ele tem suas qualidades. O ponto máximo em ‘Era de Ultron’ está justamente no terceiro ato, mais precisamente no final. Quando numa tentativa ousada, Whedon apresenta os ‘Novos Vingadores’, juntamente com o enigmático ‘Visão’. Isso revela muito como a Marvel está pensando sobre o universo construído para os cinemas. Sinceramente esperava que os Novos Vingadores somente fossem apresentados ao longo da terceira Marvel.
Essa ampliação do universo é uma aposta arriscada, porque Whedon antecipa algo que poderia ter sido usada como elemento surpresa após Guerra infinita. Ao mesmo tempo que é uma grata surpresa pois aumenta o escopo de personagens, necessário para ‘Guerra Civil’.
Em geral, ‘Vingadores: era de Ultron’ é surpreendente. É o típico filme ‘não se mexe em time que está ganhando’. Mostra que apesar de todos os problemas, a Marvel tem se dedicado completamente na manutenção do seu universo e revelando pequenas surpresas e desdobramentos à medida em que avança. Aguardemos os próximos capítulos dessa saga.
Thursday, April 23, 2015
Vingadores: Era de Ultron
Texto por Carlos Cyrino: 5/5
Para ser bem sincero, eu estava muito mais ansioso para conferir a série do Demolidor do que para ver esta nova iteração dos Heróis Mais Poderosos da Terra. Consegui passar longe do hype e assisti apenas aos trailers, tentando não saber muito sobre o filme para não perder a graça na hora de assisti-lo.
O momento chegou e, conferindo-o sem expectativas ou ansiedade, posso dizer que achei Vingadores: Era de Ultron do mesmo nível do primeiro. Nem melhor, nem pior, no mesmo naipe. Pronto, agora que já tirei logo o que você provavelmente queria saber do caminho, podemos continuar o resto da resenha com mais tranquilidade.
VINGADORES ASSEMBLÉIA!
A soberba de Tony Stark ao tentar criar uma armadura para o mundo, que o protegesse de uma eventual nova invasão alienígena, faz com que ele invente a inteligência artificial Ultron, que, como você sabe, dá chabu e vira um robô psicótico engajado em proteger o planeta pelo simples método de destruir seus habitantes humanos.
A história não poderia ser mais simples e serve apenas como pretexto para mais um festival de pancadaria e piadinhas cheias de nerd pride que Joss Whedon tão bem domina e sabe como distribuir ao longo da projeção em mais um longa igualmente hilário e cheio de adrenalina.
Basicamente tudo que escrevi na resenha do anterior se aplica numa boa neste aqui também. Clica no link e refresque sua memória, eu espero. Pronto? Então continuemos. Talvez a grande diferença nesta nova aventura seja o escopo da ação, muito maior, com mais destruição e super-poderes, cheia de explosões em larga escala e porrada em níveis monumentais. Você sabe, seguindo a lei das continuações, aquela que dita que tudo tem de ser maior que no anterior.
Whedon, no entanto, o faz com maestria, já tendo dominado como narrar um blockbuster épico cheio de heróis. O cara é um de nós e recebeu a melhor e mais cara caixa de brinquedos para se divertir. E como ele se diverte. Há pelo menos uns dois planos que são literalmente capas de HQs ganhando movimento, e em câmera lenta! O primeiro, que mostra a equipe toda perfilada durante um salto, me deixou com os pelos dos braços arrepiados. Se eu tivesse visto isso quando tinha meus 13 anos, provavelmente teria de trocar a cueca depois da sessão...
Quanto aos novos personagens, eles estão bem legais. Gostei particularmente da Feiticeira Escarlate, não só pela Elizabeth Olsen ser muito bonita (ainda mais ruiva!) e mandar bem, mas as primeiras aparições dela são bem estilosas. Seu irmão gêmeo, contudo, não está na mesma altura e não tem nenhuma cena de ação elaborada ao estilo do que Bryan Singer fez com o seu Mercúrio em X-Men: Dias de um Futuro Esquecido.
Já o Visão é outro dos pontos altos da película e quando ele finalmente dá o ar da graça, é num momento que deixou os jornalistas na cabine em polvorosa, em mais uma excelente sacada de Joss Whedon. E ele tem um papel importante para a trama, ainda que no fim das contas sua gama de poderes seja mostrada de forma bem econômica.
VOCÊ SERIA DIGNO DE ERGUER O MARTELO DE THOR?
O vilão Ultron me surpreendeu por ser bem mais fanfarrão do que eu esperava. Talvez por ele ser um robô, imaginava-o mais frio e ameaçador, mas na verdade ele é bem engraçado e solta um monte de piadas, assim como quase todos os personagens. No entanto, é um antagonista bastante raso. Um daqueles típicos vilões cuja motivação é destruir o mundo porque sim e pronto.
Tinha margem para ser mais desenvolvido, como sua revolta contra seu criador Tony Stark, e todo o lance da música do Pinóquio que tanto foi utilizado nos trailers, mas isso acabou apenas sendo pincelado. Nesse sentido, é até um desperdício usarem um ator do porte de James Spader para dar vida a um personagem um tanto genérico. Até mesmo seu grande plano de destruição é bem estapafúrdio e sem noção, quando certamente havia meios mais simples de destruir a Terra.
Desta vez Whedon se utilizou mais de alguns clichês quadrinhísticos que não são necessariamente dos melhores. E quando novamente há um racha entre os heróis e eles começam a sair na mão, confesso que cheguei a considerar tirar meio ou até um Alfredo da nota, mas pelo menos dessa vez isso é mais justificado e a cena é bem curta. Ainda assim, bem que poderia tirar elementos melhores das HQs ao invés desses chavões batidos.
Agora que cobrimos o que não é tão legal, vale dizer o que melhorou. As relações entre os personagens estão bem mais desenvolvidas e já rola uma amizade forte entre eles, exemplificada pela já clássica cena da festa, que junta praticamente meio mundo do universo cinematográfico da Marvel na torre dos Vingadores. E o clima entre a Viúva Negra e Bruce Banner também rende bastante para a trama.
Os fãs do Gavião Arqueiro, pouco utilizado na primeira película, ficarão felizes em saber que neste ele ganha todo o desenvolvimento que não tivera até então, bem como muito mais tempo de tela e um monte de piadas com sua suposta inutilidade, como o fato de ele ser só um cara com arco e flechas no meio de deuses. O foco da pessoa normal no meio da ação gigantesca acaba caindo nele.
E, por fim, avança a gigantesca história geral que a Marvel está montando com seus filmes e séries, dando mais um passo para o inevitável confronto com Thanos, bem como abre algumas outras possibilidades bastante interessantes para o futuro dos Vingadores, com um final que arrancou palmas dos entusiasmados jornalistas presentes e é realmente daqueles de deixar com um baita sorriso estampado na cara.
Vingadores: Era de Ultron, assim como seus antecessores, Capitão América 2 e Guardiões da Galáxia, se posiciona como um dos melhores longas da Marvel. Embora não seja perfeito e tenha até mais elementos que não me agradaram do que o primeiro, é inegável que ele apresenta mais de duas horas de diversão de muita qualidade e continua a montar o quebra-cabeças para algo ainda mais épico. Mas visto por si só, já é um excelente blockbuster.
CURIOSIDADES:
- Stan Lee faz sua tradicional ponta e é uma das mais engraçadas de suas costumeiras aparições.
Para ser bem sincero, eu estava muito mais ansioso para conferir a série do Demolidor do que para ver esta nova iteração dos Heróis Mais Poderosos da Terra. Consegui passar longe do hype e assisti apenas aos trailers, tentando não saber muito sobre o filme para não perder a graça na hora de assisti-lo.
O momento chegou e, conferindo-o sem expectativas ou ansiedade, posso dizer que achei Vingadores: Era de Ultron do mesmo nível do primeiro. Nem melhor, nem pior, no mesmo naipe. Pronto, agora que já tirei logo o que você provavelmente queria saber do caminho, podemos continuar o resto da resenha com mais tranquilidade.
VINGADORES ASSEMBLÉIA!
A soberba de Tony Stark ao tentar criar uma armadura para o mundo, que o protegesse de uma eventual nova invasão alienígena, faz com que ele invente a inteligência artificial Ultron, que, como você sabe, dá chabu e vira um robô psicótico engajado em proteger o planeta pelo simples método de destruir seus habitantes humanos.
A história não poderia ser mais simples e serve apenas como pretexto para mais um festival de pancadaria e piadinhas cheias de nerd pride que Joss Whedon tão bem domina e sabe como distribuir ao longo da projeção em mais um longa igualmente hilário e cheio de adrenalina.
Basicamente tudo que escrevi na resenha do anterior se aplica numa boa neste aqui também. Clica no link e refresque sua memória, eu espero. Pronto? Então continuemos. Talvez a grande diferença nesta nova aventura seja o escopo da ação, muito maior, com mais destruição e super-poderes, cheia de explosões em larga escala e porrada em níveis monumentais. Você sabe, seguindo a lei das continuações, aquela que dita que tudo tem de ser maior que no anterior.
Whedon, no entanto, o faz com maestria, já tendo dominado como narrar um blockbuster épico cheio de heróis. O cara é um de nós e recebeu a melhor e mais cara caixa de brinquedos para se divertir. E como ele se diverte. Há pelo menos uns dois planos que são literalmente capas de HQs ganhando movimento, e em câmera lenta! O primeiro, que mostra a equipe toda perfilada durante um salto, me deixou com os pelos dos braços arrepiados. Se eu tivesse visto isso quando tinha meus 13 anos, provavelmente teria de trocar a cueca depois da sessão...
Quanto aos novos personagens, eles estão bem legais. Gostei particularmente da Feiticeira Escarlate, não só pela Elizabeth Olsen ser muito bonita (ainda mais ruiva!) e mandar bem, mas as primeiras aparições dela são bem estilosas. Seu irmão gêmeo, contudo, não está na mesma altura e não tem nenhuma cena de ação elaborada ao estilo do que Bryan Singer fez com o seu Mercúrio em X-Men: Dias de um Futuro Esquecido.
Já o Visão é outro dos pontos altos da película e quando ele finalmente dá o ar da graça, é num momento que deixou os jornalistas na cabine em polvorosa, em mais uma excelente sacada de Joss Whedon. E ele tem um papel importante para a trama, ainda que no fim das contas sua gama de poderes seja mostrada de forma bem econômica.
VOCÊ SERIA DIGNO DE ERGUER O MARTELO DE THOR?
O vilão Ultron me surpreendeu por ser bem mais fanfarrão do que eu esperava. Talvez por ele ser um robô, imaginava-o mais frio e ameaçador, mas na verdade ele é bem engraçado e solta um monte de piadas, assim como quase todos os personagens. No entanto, é um antagonista bastante raso. Um daqueles típicos vilões cuja motivação é destruir o mundo porque sim e pronto.
Tinha margem para ser mais desenvolvido, como sua revolta contra seu criador Tony Stark, e todo o lance da música do Pinóquio que tanto foi utilizado nos trailers, mas isso acabou apenas sendo pincelado. Nesse sentido, é até um desperdício usarem um ator do porte de James Spader para dar vida a um personagem um tanto genérico. Até mesmo seu grande plano de destruição é bem estapafúrdio e sem noção, quando certamente havia meios mais simples de destruir a Terra.
Desta vez Whedon se utilizou mais de alguns clichês quadrinhísticos que não são necessariamente dos melhores. E quando novamente há um racha entre os heróis e eles começam a sair na mão, confesso que cheguei a considerar tirar meio ou até um Alfredo da nota, mas pelo menos dessa vez isso é mais justificado e a cena é bem curta. Ainda assim, bem que poderia tirar elementos melhores das HQs ao invés desses chavões batidos.
Agora que cobrimos o que não é tão legal, vale dizer o que melhorou. As relações entre os personagens estão bem mais desenvolvidas e já rola uma amizade forte entre eles, exemplificada pela já clássica cena da festa, que junta praticamente meio mundo do universo cinematográfico da Marvel na torre dos Vingadores. E o clima entre a Viúva Negra e Bruce Banner também rende bastante para a trama.
Os fãs do Gavião Arqueiro, pouco utilizado na primeira película, ficarão felizes em saber que neste ele ganha todo o desenvolvimento que não tivera até então, bem como muito mais tempo de tela e um monte de piadas com sua suposta inutilidade, como o fato de ele ser só um cara com arco e flechas no meio de deuses. O foco da pessoa normal no meio da ação gigantesca acaba caindo nele.
E, por fim, avança a gigantesca história geral que a Marvel está montando com seus filmes e séries, dando mais um passo para o inevitável confronto com Thanos, bem como abre algumas outras possibilidades bastante interessantes para o futuro dos Vingadores, com um final que arrancou palmas dos entusiasmados jornalistas presentes e é realmente daqueles de deixar com um baita sorriso estampado na cara.
Vingadores: Era de Ultron, assim como seus antecessores, Capitão América 2 e Guardiões da Galáxia, se posiciona como um dos melhores longas da Marvel. Embora não seja perfeito e tenha até mais elementos que não me agradaram do que o primeiro, é inegável que ele apresenta mais de duas horas de diversão de muita qualidade e continua a montar o quebra-cabeças para algo ainda mais épico. Mas visto por si só, já é um excelente blockbuster.
CURIOSIDADES:
- Stan Lee faz sua tradicional ponta e é uma das mais engraçadas de suas costumeiras aparições.
'Vingadores' 2 estreia com 141 minutos de ação ininterrupta e muito humor
THALES DE MENEZES, da Folha de São Paulo Ilustrada: 3/3 (Ótimo)
"Vingadores: Era de Ultron" não é apenas o melhor filme para fãs de super-heróis de quadrinhos feito até hoje. É um filme de ação e aventura impecável, até para quem não abre um gibi há décadas.
Quem é consumidor de HQ terá um prazer a mais na sessão, acompanhando a vingança do autômato Ultron contra seu criador, Tony Stark, e a humanidade. É um vilão surgido nos gibis em 1968.
O filme tem muitas piadas –Thor é o campeão–, algumas só entendidas por fãs, e um ou outro detalhe engraçado que apenas os verdadeiros maníacos vão captar.
Mas o segundo longa dos Vingadores, novamente dirigido por Joss Whedon, é mais didático que o anterior.
Rapidamente, sem abdicar de cenas de ação ininterrupta, um "quem é quem" da equipe fica desenhado.
O time traz dois fortões, Thor (Chris Hemsworth), o deus nórdico honrado e destemido, e Hulk (Mark Ruffalo), um rastro verde de destruição a cada vez que Bruce Banner surta com alguma coisa.
Uma dupla cerebral tem Capitão América (Chris Evans), herói da Segunda Guerra e líder natural da turma, e Homem de Ferro (Robert Downey Jr.), que o mundo sabe que é o cientista milionário Tony Stark com a armadura que ele mesmo criou.
Resta a dupla fracote, com Gavião Arqueiro (Jeremy Renner), que nunca erra os disparos, e Viúva Negra (Scarlett Johansson), agente secreta.
Ela tem uma função primordial no grupo, que é despertar e adormecer Hulk na mente de Banner.
Quando o verdão está furioso, ele só volta à forma de Banner com uma canção de ninar da Viúva Negra. Sim, é "A Bela e a Fera" dos heróis.
SEM FÔLEGO
O sexteto começa o filme atacando uma base da organização terrorista Hydra, numa sequência de tirar o fôlego. Na verdade, o público terá pouco tempo para respirar.
Na tentativa de criar um programa de computador para proteger o mundo, baseado em inteligência artificial, Stark inventa Ultron. A criatura se volta contra o criador.
Os heróis enfrentarão centenas de robôs criados por Ultron e o próprio supervilão, que acomoda seu cérebro virtual em corpos metálicos.
No meio disso, o ótimo roteiro encontra espaço para que o casal de gêmeos mutantes Pietro e Wanda entre para o grupo (nos gibis ganham os nomes de Mercúrio e Feiticeira Escarlate) e para Ultron criar o Visão, androide que se torna Vingador.
Não vale contar mais. Equilibrado entre ação e humor, "Vingadores: Era de Ultron" crava definitivamente os super-heróis como um gênero cinematográfico.
AS ORIGENS
Os Vingadores foram criados em 1963. O número um da revista saiu em setembro. Mas seus integrantes já tinham aparecido antes nos gibis da Marvel. Criados por Stan Lee e pelo desenhista Jack Kirby, foram lançados com alguns meses de intervalo, nesta ordem: Homem-Formiga, Hulk e Thor, em 1962, Homem de Ferro e Vespa, em 1963.
No número 2 da revista, o Homem-Formiga passaria a ser o Gigante. No número 4, em 1964, o Capitão América entrou para a equipe. Era um herói de gibis dos anos 1940 repaginado por Lee e Kirby.
A ideia para formar um grupo de heróis veio da editora rival da Marvel, a DC Comics, que lançara com sucesso, em 1960, a Liga da Justiça, que reunia Batman, Super-Homem, Mulher Maravilha e Flash, entre outros.
"Vingadores: Era de Ultron" não é apenas o melhor filme para fãs de super-heróis de quadrinhos feito até hoje. É um filme de ação e aventura impecável, até para quem não abre um gibi há décadas.
Quem é consumidor de HQ terá um prazer a mais na sessão, acompanhando a vingança do autômato Ultron contra seu criador, Tony Stark, e a humanidade. É um vilão surgido nos gibis em 1968.
O filme tem muitas piadas –Thor é o campeão–, algumas só entendidas por fãs, e um ou outro detalhe engraçado que apenas os verdadeiros maníacos vão captar.
Mas o segundo longa dos Vingadores, novamente dirigido por Joss Whedon, é mais didático que o anterior.
Rapidamente, sem abdicar de cenas de ação ininterrupta, um "quem é quem" da equipe fica desenhado.
O time traz dois fortões, Thor (Chris Hemsworth), o deus nórdico honrado e destemido, e Hulk (Mark Ruffalo), um rastro verde de destruição a cada vez que Bruce Banner surta com alguma coisa.
Uma dupla cerebral tem Capitão América (Chris Evans), herói da Segunda Guerra e líder natural da turma, e Homem de Ferro (Robert Downey Jr.), que o mundo sabe que é o cientista milionário Tony Stark com a armadura que ele mesmo criou.
Resta a dupla fracote, com Gavião Arqueiro (Jeremy Renner), que nunca erra os disparos, e Viúva Negra (Scarlett Johansson), agente secreta.
Ela tem uma função primordial no grupo, que é despertar e adormecer Hulk na mente de Banner.
Quando o verdão está furioso, ele só volta à forma de Banner com uma canção de ninar da Viúva Negra. Sim, é "A Bela e a Fera" dos heróis.
SEM FÔLEGO
O sexteto começa o filme atacando uma base da organização terrorista Hydra, numa sequência de tirar o fôlego. Na verdade, o público terá pouco tempo para respirar.
Na tentativa de criar um programa de computador para proteger o mundo, baseado em inteligência artificial, Stark inventa Ultron. A criatura se volta contra o criador.
Os heróis enfrentarão centenas de robôs criados por Ultron e o próprio supervilão, que acomoda seu cérebro virtual em corpos metálicos.
No meio disso, o ótimo roteiro encontra espaço para que o casal de gêmeos mutantes Pietro e Wanda entre para o grupo (nos gibis ganham os nomes de Mercúrio e Feiticeira Escarlate) e para Ultron criar o Visão, androide que se torna Vingador.
Não vale contar mais. Equilibrado entre ação e humor, "Vingadores: Era de Ultron" crava definitivamente os super-heróis como um gênero cinematográfico.
AS ORIGENS
Os Vingadores foram criados em 1963. O número um da revista saiu em setembro. Mas seus integrantes já tinham aparecido antes nos gibis da Marvel. Criados por Stan Lee e pelo desenhista Jack Kirby, foram lançados com alguns meses de intervalo, nesta ordem: Homem-Formiga, Hulk e Thor, em 1962, Homem de Ferro e Vespa, em 1963.
No número 2 da revista, o Homem-Formiga passaria a ser o Gigante. No número 4, em 1964, o Capitão América entrou para a equipe. Era um herói de gibis dos anos 1940 repaginado por Lee e Kirby.
A ideia para formar um grupo de heróis veio da editora rival da Marvel, a DC Comics, que lançara com sucesso, em 1960, a Liga da Justiça, que reunia Batman, Super-Homem, Mulher Maravilha e Flash, entre outros.
Vingadores: Era de Ultron
Crítica de Érico Borgo, do site Omelete: 3/5
Consciência é a palavra que guia os personagens de Vingadores: Era de Ultron. Ser capaz de perceber a relação entre si e o ambiente é um dos fatores que estabelecem essa condição, a de ser consciente, algo com o que Tony Stark (Robert Downey Jr.) vive em eterno conflito.
Outrora um fabricante de armas, o Homem de Ferro continua sendo obrigado a encarar o resultado de seus atos passados. Tornar-se um super-herói foi parte do processo de lidar com essa consciência. Agora, virar um defensor global é ensejo ainda mais poderoso nesse sentido, já que sua busca por redenção passa pela criação de uma legião de robôs, comandados por Jarvis (voz de Paul Bettany), que patrulham o mundo e pretendem torná-lo algo "melhor".
O tormento velado de consciência motiva o desejo por uma inteligência artificial de verdade, a criação de um ser imune ao erro. Afinal, Jarvis é limitado, um sistema operacional inteligente, mas incapaz de tomar decisões que fujam de sua programação. Faz todo sentido dentro dessa premissa, então, que outro personagem assombrado pelos seus atos, Bruce Banner (Mark Ruffalo), partilhe desse ideal e ajude Stark a concretizá-lo, quando ambos recuperam o poderoso cetro de Loki, fonte inesgotável de energia e de controle psíquico.
É essa dança de mentes perturbadas que desperta o transtornado Ultron (James Spader). O androide antagonista do filme não poderia ter melhor intérprete. Spader, que atuou presencialmente e foi substituído por computação gráfica de captura de movimentos (estudados ao lado do mestre na técnica Andy Serkis, que aqui vive o vilão Ulysses Klaw), dá um show. Ameaça, ironiza, desafina, seduz, faz piada e mata por pura e fria lógica, do tipo que dita que para resolver um problema você deve eliminar sua fonte: os Vingadores e a humanidade. Cartilha tradicional da boa ficção científica de robôs superinteligentes, mas não efetivamente conscientes.
Essa jornada histriônica do ser artificial, que passa pela busca do corpo perfeito, é retrato deturpado da própria jornada de seu criador, ele também um fazedor de corpos perfeitos, sedutor, ególatra e dono de um humor todo particular. Nessa dualidade da criação e criatura reside o melhor de Vingadores: Era de Ultron.
O tema é mais complexo que as questões de poder e a relação familiar imediatamente relacionáveis do primeiro Os Vingadores. Talvez por isso tanto tenha se falado sobre o tom "mais sombrio" do filme. Mas essa carga potencialmente dramática é quebrada incessantemente com ação e humor, o que tira daí qualquer impressão mais duradoura de foco mais adulto ou realista, de perigo real, que o filme poderia passar. Felizmente, é uma produção do Marvel Studios, afinal.
Estofando a conversa filosófica estão, em nível pirotécnico imediatamente acessível, as bastante longas sequências de combates, que dão tom superlativo ao filme. Nessa superfície, Vingadores: Era de Ultron exagera em alguns momentos, como ao usar cenas superposadas emulando capa de gibi, com resultado um tanto constrangedor. Montanhas são derrubadas, prédios são obliterados, robôs - muitos robôs - são desmembrados, gerando um verdadeiro descontrole cinético (ainda que não ultrapasse registros recordistas na escala Michael Bay de devastação).
Com sequências que começam grandiloquentes e ficam maiores e maiores, é curioso que um dos bons respiros seja justamente uma cena de ação clássica, a parada de um trem desgovernado. Superman e Homem-Aranha já salvaram os seus - e chegou a hora dos Vingadores. Falta ao filme essa qualidade de heroísmo clássico e algumas variações sem tantos excessos, certos momentos que preparem a próxima grande cena, usando melhor heróis e habilidades específicas, algo que o primeiro Vingadores soube fazer melhor.
O respiro, quando acontece, vem em momentos de diálogos intimistas, quando todos os Vingadores estão equilibrados em seus trajes civis. Ao menos nessas cenas de tranquilidade, a aventura aproveita para explorar personagens que não têm seus próprios filmes para serem aprofundados. É o caso do Gavião Arqueiro (Jeremy Renner), que tem participação mais longa - ainda que um tanto deslocada do tema central - e da interessante relação entre a Viúva Negra (Scarlett Johansson) e Banner/Hulk.
Do lado oposto, os gêmeos Wanda e Pietro Maximoff (Elizabeth Olsen e Aaron Taylor-Johnson) operam por conta própria, guiados por um desejo de vingança. Enquanto ele não tem o que fazer e os fãs do personagem (que, encaremos, nunca foi grande coisa nem nas HQs) amargam uma atuação apática do Kick-Ass, ela vai ao encontro do tema central com intensidade. A heroína tinha mesmo que estar presente, especialmente pelo seus poderes de manipulação da realidade - e da percepção. De novo, a mente é o foco, e a representação que o filme faz dessas habilidades é ao mesmo tempo estranha e plasticamente bonita.
Com sua própria consciência, egressa de tempos mais simples, Steve Rogers (Chris Evans) é mostrado em vislumbres de choque com Tony Stark. O Sentinela da Liberdade é o oposto perfeito para a ideia, que flerta com o totalitarismo, de uma força de paz corporativa, atuando em solo estrangeiro, do Homem de Ferro. Esse é um ponto igualmente interessante no filme - e no discurso de Ultron -, com os Vingadores literalmente invadindo nações soberanas, "protegendo o mundo, mas não querendo que ele mude". O palco está montado para o filme vindouro da Guerra Civil, com a cisão dos heróis.
Não seria um filme da Casa das Ideias, afinal, se não fossem preparados os próximos capítulos da saga desse universo compartilhado Marvel no cinema. Mas nesse sentido, Vingadores: Era de Ultron é surpreendentemente econômico. Falava-se em heróis secretos, em possíveis ganchos do tipo que alucinam os fãs, mas a aventura centra-se (por mais que meu lado fanático refute em dizer isso) corretamente em seus personagens principais, na situação em questão, deixando o futuro em aberto, com muitas possibilidades mas poucas certezas, sem grandes acontecimentos castradores da criatividade dos cineastas que seguirão esse legado.
Um dos novos heróis a serem trabalhados é o sintetizoide dos quadrinhos, Visão (também Paul Bettany). Uma adaptação perfeita do personagem nas páginas, a criatura surge simplificando todos os seus conceitos das HQs, mas ao mesmo tempo mantendo-os intactos. Enquanto nas aventuras impressas o Visão era cria de Ultron, usando as memórias de um companheiro caído dos Vingadores, aqui ele é um fruto de inadvertido esforço coletivo, algo extremamente bem pensado dentro da lógica do filme. É chamado de "inocente" logo nos primeiros momentos de vida, mas é alguém movido por uma consciência poderosa - a de alguém único e capaz de fazer a diferença no futuro da espécie, seja lá qual for. Todas as suas aparições roubam a cena no filme, em especial uma luta ao lado de Thor (Chris Hemsworth), que tem pouco o que fazer na história, mas algumas das melhores sequências de batalha. Etéreo, poderoso e sutil como deve ser, o Visão é a representação pura da ideia que guia o filme.
Ao final, Vingadores: Era de Ultron é a Era da Mente, um filme cujo cerne é brilhante, mas acaba diminuído pela necessidade, essa inércia de indústria, de ser maior e mais épico, o que acaba gerando um certo descontrole em relação ao certeiro primeiro longa. A Marvel não deveria ficar competindo em escala com outros blockbusters, mas evidenciar para o público e a indústria seus valores históricos, que tornam seus quadrinhos tão valiosos para gerações inteiras de fãs. Nivelar-se em excessos prejudica o equilíbrio que deve ser o legado da editora.
Consciência é a palavra que guia os personagens de Vingadores: Era de Ultron. Ser capaz de perceber a relação entre si e o ambiente é um dos fatores que estabelecem essa condição, a de ser consciente, algo com o que Tony Stark (Robert Downey Jr.) vive em eterno conflito.
Outrora um fabricante de armas, o Homem de Ferro continua sendo obrigado a encarar o resultado de seus atos passados. Tornar-se um super-herói foi parte do processo de lidar com essa consciência. Agora, virar um defensor global é ensejo ainda mais poderoso nesse sentido, já que sua busca por redenção passa pela criação de uma legião de robôs, comandados por Jarvis (voz de Paul Bettany), que patrulham o mundo e pretendem torná-lo algo "melhor".
O tormento velado de consciência motiva o desejo por uma inteligência artificial de verdade, a criação de um ser imune ao erro. Afinal, Jarvis é limitado, um sistema operacional inteligente, mas incapaz de tomar decisões que fujam de sua programação. Faz todo sentido dentro dessa premissa, então, que outro personagem assombrado pelos seus atos, Bruce Banner (Mark Ruffalo), partilhe desse ideal e ajude Stark a concretizá-lo, quando ambos recuperam o poderoso cetro de Loki, fonte inesgotável de energia e de controle psíquico.
É essa dança de mentes perturbadas que desperta o transtornado Ultron (James Spader). O androide antagonista do filme não poderia ter melhor intérprete. Spader, que atuou presencialmente e foi substituído por computação gráfica de captura de movimentos (estudados ao lado do mestre na técnica Andy Serkis, que aqui vive o vilão Ulysses Klaw), dá um show. Ameaça, ironiza, desafina, seduz, faz piada e mata por pura e fria lógica, do tipo que dita que para resolver um problema você deve eliminar sua fonte: os Vingadores e a humanidade. Cartilha tradicional da boa ficção científica de robôs superinteligentes, mas não efetivamente conscientes.
Essa jornada histriônica do ser artificial, que passa pela busca do corpo perfeito, é retrato deturpado da própria jornada de seu criador, ele também um fazedor de corpos perfeitos, sedutor, ególatra e dono de um humor todo particular. Nessa dualidade da criação e criatura reside o melhor de Vingadores: Era de Ultron.
O tema é mais complexo que as questões de poder e a relação familiar imediatamente relacionáveis do primeiro Os Vingadores. Talvez por isso tanto tenha se falado sobre o tom "mais sombrio" do filme. Mas essa carga potencialmente dramática é quebrada incessantemente com ação e humor, o que tira daí qualquer impressão mais duradoura de foco mais adulto ou realista, de perigo real, que o filme poderia passar. Felizmente, é uma produção do Marvel Studios, afinal.
Estofando a conversa filosófica estão, em nível pirotécnico imediatamente acessível, as bastante longas sequências de combates, que dão tom superlativo ao filme. Nessa superfície, Vingadores: Era de Ultron exagera em alguns momentos, como ao usar cenas superposadas emulando capa de gibi, com resultado um tanto constrangedor. Montanhas são derrubadas, prédios são obliterados, robôs - muitos robôs - são desmembrados, gerando um verdadeiro descontrole cinético (ainda que não ultrapasse registros recordistas na escala Michael Bay de devastação).
Com sequências que começam grandiloquentes e ficam maiores e maiores, é curioso que um dos bons respiros seja justamente uma cena de ação clássica, a parada de um trem desgovernado. Superman e Homem-Aranha já salvaram os seus - e chegou a hora dos Vingadores. Falta ao filme essa qualidade de heroísmo clássico e algumas variações sem tantos excessos, certos momentos que preparem a próxima grande cena, usando melhor heróis e habilidades específicas, algo que o primeiro Vingadores soube fazer melhor.
O respiro, quando acontece, vem em momentos de diálogos intimistas, quando todos os Vingadores estão equilibrados em seus trajes civis. Ao menos nessas cenas de tranquilidade, a aventura aproveita para explorar personagens que não têm seus próprios filmes para serem aprofundados. É o caso do Gavião Arqueiro (Jeremy Renner), que tem participação mais longa - ainda que um tanto deslocada do tema central - e da interessante relação entre a Viúva Negra (Scarlett Johansson) e Banner/Hulk.
Do lado oposto, os gêmeos Wanda e Pietro Maximoff (Elizabeth Olsen e Aaron Taylor-Johnson) operam por conta própria, guiados por um desejo de vingança. Enquanto ele não tem o que fazer e os fãs do personagem (que, encaremos, nunca foi grande coisa nem nas HQs) amargam uma atuação apática do Kick-Ass, ela vai ao encontro do tema central com intensidade. A heroína tinha mesmo que estar presente, especialmente pelo seus poderes de manipulação da realidade - e da percepção. De novo, a mente é o foco, e a representação que o filme faz dessas habilidades é ao mesmo tempo estranha e plasticamente bonita.
Com sua própria consciência, egressa de tempos mais simples, Steve Rogers (Chris Evans) é mostrado em vislumbres de choque com Tony Stark. O Sentinela da Liberdade é o oposto perfeito para a ideia, que flerta com o totalitarismo, de uma força de paz corporativa, atuando em solo estrangeiro, do Homem de Ferro. Esse é um ponto igualmente interessante no filme - e no discurso de Ultron -, com os Vingadores literalmente invadindo nações soberanas, "protegendo o mundo, mas não querendo que ele mude". O palco está montado para o filme vindouro da Guerra Civil, com a cisão dos heróis.
Não seria um filme da Casa das Ideias, afinal, se não fossem preparados os próximos capítulos da saga desse universo compartilhado Marvel no cinema. Mas nesse sentido, Vingadores: Era de Ultron é surpreendentemente econômico. Falava-se em heróis secretos, em possíveis ganchos do tipo que alucinam os fãs, mas a aventura centra-se (por mais que meu lado fanático refute em dizer isso) corretamente em seus personagens principais, na situação em questão, deixando o futuro em aberto, com muitas possibilidades mas poucas certezas, sem grandes acontecimentos castradores da criatividade dos cineastas que seguirão esse legado.
Um dos novos heróis a serem trabalhados é o sintetizoide dos quadrinhos, Visão (também Paul Bettany). Uma adaptação perfeita do personagem nas páginas, a criatura surge simplificando todos os seus conceitos das HQs, mas ao mesmo tempo mantendo-os intactos. Enquanto nas aventuras impressas o Visão era cria de Ultron, usando as memórias de um companheiro caído dos Vingadores, aqui ele é um fruto de inadvertido esforço coletivo, algo extremamente bem pensado dentro da lógica do filme. É chamado de "inocente" logo nos primeiros momentos de vida, mas é alguém movido por uma consciência poderosa - a de alguém único e capaz de fazer a diferença no futuro da espécie, seja lá qual for. Todas as suas aparições roubam a cena no filme, em especial uma luta ao lado de Thor (Chris Hemsworth), que tem pouco o que fazer na história, mas algumas das melhores sequências de batalha. Etéreo, poderoso e sutil como deve ser, o Visão é a representação pura da ideia que guia o filme.
Ao final, Vingadores: Era de Ultron é a Era da Mente, um filme cujo cerne é brilhante, mas acaba diminuído pela necessidade, essa inércia de indústria, de ser maior e mais épico, o que acaba gerando um certo descontrole em relação ao certeiro primeiro longa. A Marvel não deveria ficar competindo em escala com outros blockbusters, mas evidenciar para o público e a indústria seus valores históricos, que tornam seus quadrinhos tão valiosos para gerações inteiras de fãs. Nivelar-se em excessos prejudica o equilíbrio que deve ser o legado da editora.
Tuesday, April 07, 2015
O Substituto
Direção: Tony Kaye
Elenco: Adrien Brody, Christina Hendricks, Marcia Gay Harden, James Caan, Lucy Liu
Sinopse: O filme é uma crônica de três semanas nas vidas de vários professores do ensino médio, administradores e estudantes através dos olhos de um professor substituto.
Henry Barthes (Adrien Brody) é um professor de ensino médio, que apesar de ter o dom nato para se comunicar com os jovens, só dá aulas como substituto, para não criar vinculos com ninguém. Mas quando ele é chamado para lecionar em uma escola pública, se encontra em meio à professores desmotivados e adolescentes violentos e desencantados com a vida, que só querem encontrar um apoio para substituir seus pais negligentes ou ausentes. Sofrendo uma crise familiar, Henry verá três mulheres entrando em sua vida e vai começar a perceber como ele pode fazer a diferença, mesmo que isso venha com um alto custo.
Monday, April 06, 2015
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